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Fed pode subir taxa de juro em dezembro. Wall Street anima-se

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Segundo as atas da reunião de outubro da Reserva Federal norte-americana divulgadas esta quarta-feira, uma "maioria" dos participantes no comité de política monetária antecipou que as condições para uma subida das taxas de juro poderão estar reunidas daqui a um mês. Mas as opções continuam em aberto

Uma “maioria” dos participantes na reunião de outubro do comité de política monetária da Reserva Federal norte-americana (Fed) antecipou que as condições para iniciar o processo de subida das taxas de juro do banco central poderão estar reunidas por ocasião da próxima reunião a 15 e 16 de dezembro.

A confirmação surge através das atas da reunião de outubro que foram divulgadas esta quarta-feira (pelas 19h, hora de Portugal) já depois do fecho dos mercados bolsistas na Europa.

Mas uma maioria dos participantes na reunião de outubro expressou, também, que essa opinião não significa automaticamente que se decidirá por uma subida dos juros na próxima reunião de dezembro, pois as opções se mantêm em aberto.

Opções continuam em aberto

Lê-se nas atas: "A maioria dos participantes antecipou que, com base na sua avaliação da situação económica atual e nas perspetivas para a atividade económica, o mercado de trabalho, e a inflação, as condições [para uma subida das taxas de juro do banco central] poderiam muito bem vir a estar reunidas por ocasião da próxima reunião [de 16 e 17 de dezembro]. No entanto, sublinharam que a decisão efetiva dependerá das implicações para as perspetivas económicas a médio prazo dos dados que venham a ser recebidos durante o próximo período entre as duas reuniões".

Mais adiante pode ler-se: “Os participantes sublinharam que esta mudança [na comunicação da Fed, referindo a possibilidade de uma subida dos juros] tem a intenção de transmitir a sensação que, apesar de nenhuma decisão ter sido tomada, pode muito bem tornar-se apropriado iniciar o processo de normalização na próxima reunião [de dezembro], desde que choques imprevistos não prejudiquem as perspetivas económicas e os dados que proximamente surjam apoiem a expetativa de que as condições no mercado laboral continuam a melhorar e que a inflação regressará no médio prazo ao objetivo de 2% fixado pelo Comité". E sublinha-se, depois, uma chamada de atenção: "Os participantes interpretam esta nova linguagem como deixando em aberto opções de política para a próxima reunião".

O processo de subida deverá ser gradual

As atas referem ainda que houve quem sinalizasse os riscos do anuncio em outubro da possibilidade dessa subida dos juros: "No entanto, um par de participantes expressou a preocupação de que essa mudança na redação poderia ser mal interpretada como sinalizando muito fortemente a expetativa de que o objetivo para o intervalo dos juros seria aumentado na próxima reunião do comité”.

Qualquer que seja a decisão, os participantes "concordaram em geral" que será apropriado que o processo seja gradual.

Na parte da discussão mais técnica, os banqueiros centrais da Fed discutiram uma análise sobre a taxa de juro real de equilíbrio, tendo concluído que, no curto prazo, ela "poderá permanecer abaixo de níveis que seriam normais em ciclos de expansão económica anterior".

Bolsas de Nova Iorque reagem com subidas

Wall Street e Nasdaq reagiram positivamente ao conteúdo das atas da reunião da Fed, com os principais índices a subir mais de 1%.

No observatório da CME para as probabilidades implícitas nos futuros das taxas de juro, a probabilidade para uma subida dos juros na reunião de dezembro mantinha-se em 68%, abaixo de 72% registado no fecho de terça-feira.

A taxa de juro da Fed tem-se movimentado num intervalo entre 0% e 0,25% desde que foi fixado a 16 de dezembro de 2008. Se o intervalo for alterado na próxima reunião será precisamente sete anos depois. A taxa efetiva mensal média de juros da Fed situou-se em outubro em 0,12%.