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Bolsas europeias abrem no vermelho. Juros da dívida portuguesa continuam a cair

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Com a perceção do risco terrorista a subir, as bolsas na Europa abriram em terreno negativo. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, abriu em queda. No mercado secundário da dívida soberana da zona euro, prossegue a trajetória de descida do custo de financiamento. Juros das Obrigações portuguesas a 10 anos descem para 2,55% em dia de leilão de Bilhetes do Tesouro

Jorge Nascimento Rodrigues

Os mercados bolsistas na Europa abriram no vermelho esta quarta-feira. Os índices Cac 40, de Paris, e o Ibex 35, de Madrid, lideram quedas. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, abriu a perder 0,3%.

Depois do cancelamento na terça-feira à noite de um jogo de futebol em Hannover, na Alemanha, e da operação policial desta madrugada em Saint-Denis, nos subúrbios de Paris, a perceção do risco terrorista subiu e está a agitar os mercados financeiros, arriscando colocar em causa o “consenso” entre os analistas de que seria “limitado” o impacto dos atentados terroristas na capital francesa no final da semana passada.

A abertura no vermelho na Europa sucede a um fecho em terreno negativo do índice MSCI para os Estados Unidos na terça-feira (com uma quebra de 0,14%) e de um encerramento “misto” na Ásia Pacífico esta quarta-feira, com os índices da Bolsa de Tóquio, a mais importante, a fecharem ligeiramente em terreno positivo, mas com China, Hong Kong, Seul e Taipé a registarem perdas.

Já depois do fecho das bolsas na Europa, os mercados financeiros nas Américas serão marcados pela divulgação em Washington (19h de Portugal) das atas da última reunião da Reserva Federal norte-americana (Fed), com os analistas a escalpelizarem as opiniões manifestadas pelos membros do Comité de Política Monetária do mais importante banco central do mundo em relação ao início em dezembro de um processo de subida das taxas de juro.

Depois de subidas nas probabilidades desse início ocorrer na reunião de 16 de dezembro da Fed, a trajetória tem sido descendente recentemente: 70% a 6 de novembro; 66% a 13 de novembro; e 64% a 17 de novembro. Estas probabilidades implícitas são calculadas por um observatório da CME para os futuros das taxas de juro da Fed. Segundo o analista Jim Reid, do Deutsch Bank, "[os colegas nos Estados Unidos] preveem que a probabilidade de uma subida em dezembro diminua para perto de 50/50 nas próximas semanas".

Trajetória de descida dos juros das OT prossegue

O mercado secundário da dívida soberana abriu marcado por uma trajetória de descida das yields das obrigações dos membros do euro, com exceção da Grécia. Destaca-se a descida das yields das Obrigações do Tesouro português, a 10 anos, que baixaram para 2,55% na abertura pelas 8h (hora de Portugal).

A trajetória de descida do custo de financiamento da dívida portuguesa no prazo de referência continua a verificar-se. Desde início da semana já desceu 24 pontos base em relação ao fecho na sexta-feira.

O IGCP, a Agência de Gestão e de Tesouraria da Dívida Pública portuguesa, realiza esta quarta-feira de manhã dois leilões de Bilhetes do Tesouro (BT, dívida de curto prazo) com maturidades em maio e em novembro do próximo ano, com um montante indicativo global de colocação entre 1000 milhões e 1250 milhões de euros. Esta operação em dívida a seis e 12 meses será a penúltima do ano no âmbito de BT, estando previsto mais um leilão de dívida a três e 11 meses a 16 de dezembro.

O Tesouro alemão realiza, também esta manhã, um leilão de obrigações no prazo a 2 anos. Na operação similar anterior financiou-se a uma taxa negativa de -0,26%.

Em Atenas, depois de um acordo na segunda-feira com os credores oficiais, o governo colocou para discussão no Parlamento uma lei com as ações prioritárias que estavam pendentes, que deverá ser votada na sessão de quinta-feira. Se for aprovada, o Grupo de Trabalho do Eurogrupo deverá dar luz verde na sexta-feira para que o Mecanismo Europeu de Estabilidade desembolse na segunda-feira a subtranche do resgate em atraso de 2 mil milhões de euros e transfira para o Fundo Helénico de Estabilidade Financeira 10 mil milhões de euros destinados à recapitalização da banca grega.