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Juros da dívida portuguesa continuam a descer

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Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos abriram a cair para 2,67% na abertura do mercado secundário desta terça-feira. A trajetória descendente é comum a toda a zona euro, com exceção da Grécia. Mas a maior descida verifica-se com os juros da dívida portuguesa

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo a 10 anos abriram, de novo, a descer no mercado secundário da dívida soberana na zona euro. Na abertura desta terça-feira registam 2,67%, um nível ainda acima do verificado antes das eleições legislativas de 4 de outubro, mas já abaixo do pico de 2,91% ocorrido durante a sessão de 9 de novembro.

Na segunda-feira, as yields das OT naquele prazo de referência foram as únicas a descer entre os periféricos do euro; esta terça-feira lideram as descidas. A exceção é a Grécia, com as yields das obrigações gregas a 10 anos não registando alteração, por enquanto, em relação ao fecho de ontem. No entanto, o movimento de descida deverá contagiar, também, a dívida grega, pois, em Atenas, foi alcançado esta manhã um acordo com os credores oficiais em relação aos pontos pendentes na primeira ronda do primeiro exame ao terceiro resgate. Este acordo, anunciado pelo ministro das Finanças Euclid Tsakalotos, deverá permitir ao Grupo de Trabalho do Eurogrupo dar luz verde na sexta-feira ao desembolso da subtranche de 2 mil milhões de euros em atraso e à disponibilização dos 10 mil milhões de euros para a recapitalização da banca helénica.

A decisão na sexta-feira passada da agência de notação canadiana DBRS em não cortar o rating da dívida de longo prazo portuguesa para terreno especulativo retirou pressão sobre a dívida portuguesa, apesar de continuar a incerteza sobre a resolução que o presidente da República irá tomar na sequência da rejeição do programa do governo de coligação.

Os analistas na zona euro aguardam, agora, a divulgação na quinta-feira das atas da última reunião do Banco Central Europeu (BCE) realizada a 21 e 22 de outubro. Recorde-se que, nessa reunião do mês passado, os banqueiros centrais do euro decidiram proceder a uma reavaliação da política monetária na reunião de 3 de dezembro, subindo a especulação nos meios financeiros de que a equipa de Mario Draghi poderá mexer em vários instrumentos reforçando os estímulos face ao crescimento medíocre (desacelerou para 0,3% no terceiro trimestre) e à previsão de inflação muito baixa, de 0,1%, em 2015.

Riscos aumentaram um pouco

Esta terça-feira os analistas centraram a atenção nas palavras de um dos membros mais destacados do BCE. “Eu diria que os riscos descendentes não diminuíram, provavelmente, infelizmente, aumentaram até um pouco”, disse Peter Praet, o economista-chefe do BCE, em entrevista à Bloomberg publicada esta manhã.

O membro da direção do BCE sublinhou que não estamos confrontados com uma situação tradicional em que a uma recessão normal sucede uma retoma normal: “Não é uma recessão ‘normal’, seguida de uma recuperação ‘normal’. Estamos perante uma recuperação cíclica, com riscos recentes descendentes adicionais infelizmente para o nosso cenário”.

Praet voltou a referir o ponto essencial para a política monetária do BCE – o andamento da inflação. E esse andamento não é tranquilizador: “As expectativas de inflação de longo prazo permanecem frágeis. Eu nunca disse que [as expetativas] tenham desancorado, eu não acho isso, mas existem riscos e é por isso que estamos a ponderar outras medidas [de política monetária]. Um possível desatracar das expectativas de inflação juntamente com muita capacidade por usar [na economia] é um coquetel perigoso”.

Ontem, o vice-presidente Vítor Constâncio chamou a atenção que a política monetária por si só não resolve o problema na zona euro, sendo necessária uma política orçamental acomodatícia onde haja folga para tal (e onde não haja recorrendo plenamente à flexibilidade permitida pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento) que possa ter impacto no curto prazo e uma continuação de reformas estruturais que só terão efeitos no longo prazo.