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Durão Barroso: “O ajustamento foi necessário e é necessário continuá-lo”

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O antigo presidente da Comissão Europeia duvida que se mantenha em Portugal a intenção de prosseguir as reformas estruturais, que diz serem essenciais para aumentar a produtividade e a competitividade da economia

"Em geral, o programa de ajustamento em Portugal cumpriu os seus objetivos". A afirmação é de Durão Barroso, ex-presidente da Comissão Europeia e antigo primeiro-ministro de Portugal, e foi proferida esta segunda-feira à tarde na conferência "Portugal: escolhas para o futuro", organizada pela consultora McKinsey.

Durão Barroso destacou o facto de Portugal ter conseguido sair com sucesso do seu programa de ajustamento, tal como a Irlanda e a Espanha (que teve um programa limitado à banca), ao contrario da Grécia, que está agora no seu terceiro programa. E usou o exemplo irlandês e espanhol para defender que "os países que aplicaram os programas com sucesso estão entre os que estão a crescer mais na Europa". Assim, "ficou completamente desmentida a tese da espiral recessiva", provocada pela consolidação orçamental, defendeu Durão Barroso.

"Teria sido completamente irresponsável que países que estavam numa situação de pânico perante os mercados tivessem adiado o ajustamento orçamental", afirmou, lembrando, contudo, que "disse várias vezes que havia limites para os sacrifícios exigidos" às pessoas.

Para Durão Barroso, "o que aconteceu na Grécia, com a eleição de um governo frontalmente contra o ajustamento, e, agora, também, em parte, em Portugal, mostra que esses limites podem ter sido ultrapassados".

Olhando para o futuro, Durão Barroso defende que "o ajustamento foi necessário e é necessário continuá-lo, ainda que a outro ritmo, até porque a situação melhorou". "O caminho das reformas estruturais não pode ser abandonado", reforçou, apontando o aumento da produtividade e da competitividade como essenciais para a economia portuguesa.

Sem se querer manifestar sobre a situação política do país, saída das eleições de 4 de outubro, manifestou, contudo uma preocupação: "Tenho dúvidas que se mantenha a intenção de prosseguir as reformas estruturais".

E apontou o exemplo do aumento do imput do trabalho, quando o que se fala é em reduzir esse imput, com a redução do horário de trabalho na função pública.

"É necessário que, independentemente da solução política que venha a ser encontrada para sairmos da atual crise, haja um compromisso nacional no sentido das reformas que promovam a produtividade e a competitividade", defendeu Durão Barroso. Um caminho essencial para Portugal "sair de uma situação que ainda permanece critica".