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Bosch deslocaliza para Portugal

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A Bosch de Ovar está a investir €3 milhões para aumentar a área produtiva e vai contratar mais 40 trabalhadores

LUCÍLIA MONTEIRO

Grupo alemão passa a ter quatro unidades de negócio no país e traz para Ovar projeto de componentes eletrónicos que estava na Malásia. Aveiro vai responder por aplicações que eram feitas na Índia

A Bosch Sistemas de Segurança, em Ovar, conquistou para Portugal um novo projeto da divisão de Ferramentas Elétricas do grupo alemão, até agora a decorrer na Malásia. No imediato, esta vitória da equipa de Ovar significa o alargamento da área industrial em seis mil metros quadrados, um investimento de €3 milhões e o reforço de 10% no número de trabalhadores, atualmente fixado em 400 pessoas.

Na estratégia do grupo, a deslocalização representa um reforço da aposta da multinacional em Portugal, onde tinha três das suas 16 divisões de negócio a operar em Braga (Bosch Car Multimedia), Aveiro (Bosch Termotecnologia) e Ovar, que passa, agora, a combinar o trabalho na área dos sistemas de segurança com as Ferramentas Elétricas.

A primeira conquista de Ovar será a produção de componentes eletrónicos para um robô corta-relva popular na Europa pelo seu sistema de navegação inteligente, o Indego S., que deverá traduzir-se num total de 50 mil unidades/ano e numa receita adicional de 5% no volume de vendas da empresa já em 2016.

“A produção para Ferramentas Elétricas resulta do bom trabalho feito no sentido de desenvolver competências da nossa equipa e mostrar fiabilidade, qualidade e flexibilidade às diferentes áreas de negócio. Queremos continuar a crescer e isso vai passar pela diversificação do nosso portefólio de produtos”, refere José Reis, administrador da Bosch de Ovar, com uma faturação de €80 milhões em 2014 e a previsão de um crescimento de 15% nas suas vendas em 2016.

A única fábrica de videovigilância da Península Ibérica, responsável por 10% das vendas totais da Bosch Portugal (€811 milhões em 2014), tem vindo a apostar na diversificação do portefólio para crescer. São os casos da produção da primeira câmara de videovigilância com visibilidade de 360 graus e áudio, um produto pioneiro no mercado, do trabalho de parceria entre as equipas de Ovar e Eindhoven para o lançamento de uma nova câmara, da aposta em novas competências, designadamente a produção de componentes e eletrónicos para caldeiras e eletrodomésticos, da área limpa, dedicada ao controlo ótico minucioso, ou dos mostradores para equipamentos de termotecnologia.

No passado recente, Ovar já tinha conquistado a produção de câmaras de videovigilância para autoestradas da Europa e Estados Unidos que estavam a ser feitas na China, devido às garantias oferecidas na qualidade do produto e nos prazos de entrega, e, também, de blocos óticos que o grupo estava a fazer num fornecedor asiático, reduzindo, assim, os elevados níveis de rejeição do produto de forma a permitir a redução dos custos de produção.

Em paralelo, a unidade de Aveiro, centro mundial de Investigação e Desenvolvimento (I&D) do grupo para soluções de água quente, recebeu novos projetos, como o desenvolvimento de aplicações para telemóveis relativas a produtos de outras unidades de negócio da Bosch que estavam a ser feitas na Índia. Uma delas refere-se à nova geração de esquentadores termoestáticos compactos, com design inovador e tecnologia de conectividade e uma aplicação que permite o seu controlo remoto através de smartphone ou tablet.

Com um investimento médio anual de €20 milhões em Portugal, a Bosch tem já orçamentados €78 milhões para aplicar no país até 2020, €50 milhões dos quais a realizar até ao fim de 2016 em Braga, e €25 milhões num centro de I&D para casas inteligentes em Aveiro. Só em Braga, onde está a trabalhar com tecnologia multimédia de ponta para clientes como o i8 da BMW, mas também para a Audi, Daimler, Jaguar, Land Rover, Volvo, VW, entre outras marcas automóveis, a Bosch terá mais mil trabalhadores no final de 2017, um aumento de 50% face ao número atual.

No processo de expansão do grupo em Portugal, a contratação de 250 engenheiros nas fábricas de Braga e Ovar, prevista para 2017, deverá ser cumprida já no próximo ano e a previsão oficial aponta para um crescimento de 60% nas vendas das unidades lusas da multinacional até 2017, para os €1,3 mil milhões.

O motor dos números

15% é o crescimento esperado em 2016 para as vendas da fábrica de Ovar. Em 2014, faturou €80 milhões, o equivalente a 10% do volume de negócios das unidades do grupo em Portugal.

78 milhões de euros é o valor dos investimentos do grupo já anunciados para Portugal até 2020, entre Braga (€50 milhões), Aveiro (€25 milhões) e Ovar (€3 milhões).