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Venda de ativos do Novo Banco pode não ser suficiente para superar insuficiências de capital

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Banco de Portugal pretende avançar com nova venda do banco no início de 2016. Abrir parte do capital a um investidor privado poderá ser uma das soluções

Para colmatar as exigências de capital o Novo Banco já tem em curso um plano estratégico que visa a venda de ativos e participações, assim como uma reestruturação profunda da sua rede comercial, com cortes no número de trabalhadores e do número de balcões.

Mas este plano de emagrecimento, que está em curso, pode não ser suficiente. O Banco de Portugal está convicto de que não serão necessárias mais medidas, mas a gestão do banco liderado por Eduardo Stock da Cunha já tinha apelado a um reforço de capital por parte do Fundo de Resolução. O problema é que o Fundo de Resolução não pode fazer novos aumentos de capital no Novo Banco. Está impedido de o fazer por via da diretiva que deu azo à resolução do antigo BES. Só seria possível seguir esse caminho alterando essa determinação.

Por outro lado, os bancos que participam no Fundo de Resolução já fizeram saber que não vão injetar mais dinheiro no Novo Banco. Recorde-se que a banca já assumiu 4,9 mil milhões de euros quando o Banco de Portugal decidiu avançar com a criação do Novo Banco.

É por isso que um dos cenários em cima da mesa poderá ainda ser a abertura parcial do capital do Novo Banco a um investidor institucional. Só é preciso que haja interessados em avançar.

O Banco de Portugal quer dar início a um novo processo de venda já em 2016 e poderá rever, segundo apurou o Expresso, o modelo de venda do banco. No entanto, neste modelo de venda parcial a autoridade da concorrência europeia (DGCom) teria de dar luz verde e provavelmente iria exigir muitos mais remédios (cortes) no Novo Banco.

A exigência de reforço dos fundos próprios do Novo Banco, de 1,398 mil milhões de euros, agora anunciado pelo BCE diz respeito a um cenário adverso (2015-2017) no qual a economia sofreria choques profundos face ao cenário base que tem segue as estimativas reais.

Para vender o banco a curto prazo, como quer o Banco de Portugal, será preciso, muito provavelmente, assumir perdas elevadas face ao dinheiro já injetado no banco - 4,9 mil milhões de euros, dos quais 3,9 mil milhões através de um empréstimo feito pelo Fundo de Resolução. O restante foi assegurado pelas contribuições dos bancos que participam (os maiores são a CGD, BCP, BPI e Santanbder Totta) quer para o fundo quer as que dizem respeito ao imposto extraordinário na banca, e ainda por um empréstimo de 600 milhões de euros.