Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Mais trabalho e sob maior pressão? Sim

  • 333

Infografia: Sofia Miguel Rosa

Estudo feito nos 30 anos da McKinsey mostra quais os sacrifícios e contrapartidas que os portugueses preferem. Apresemtação pública feita esta tarde em Lisboa

Ricardo Costa

Ricardo Costa

Diretor de Informação da SIC

O estudo é apresentado segunda-feira num debate onde vão estar Durão Barroso, Herman Van Rompuy e Joaquín Almunia. Os três ex-responsáveis da UE vêm a Lisboa por ocasião dos trinta anos em Portugal da McKinsey & Company. Para assinalar a data, a McKinsey decidiu seguir um modelo testado em nove países europeus. Um estudo feito junto de 2000 pessoas, com um método pouco habitual onde todos os benefícios pretendidos têm, em contrapartida, sacrifícios.

Trabalhar mais horas e sob maior pressão

Os portugueses estão dispostos a trabalhar mais horas e sob maior pressão, em troca de remuneração associada ao desempenho e na expectativa de que isso melhore a saúde e a educação do país. Em poucas palavras é assim que se resume a principal conclusão deste estudo. Mas a forma de se chegar a esta conclusão é um pouco mais complexa. Em primeiro lugar, os inquiridos expressaram disponibilidade para a) trabalhar sob maior pressão e com princípios de meritocracia, de modo a aumentar a produtividade; b) trabalhar mais horas; e c) prescindir parcialmente da proteção social. A última variável é a menos óbvia de todas.

É importante dizer que estes compromissos produzem um benefício económico para sustentar os benefícios desejados. No modelo utilizado, o aumento da produtividade laboral representaria 75% do output económico adicional gerado; as horas de trabalho extra contribuem com 18%; a redução do nível de proteção social apenas 7%. Com base nesse cenário ótimo, o PIB cresceria a uma média de 2% a 2,5% ao ano durante os próximos dez anos.

Para reinvestir esse ganho adicional, as escolhas são claras: aumento do rendimento disponível (39%), cuidados de saúde (25%) e educação (24%). Com muito menos expressão, surgem a melhoria da segurança pública e proteção ambiental, com 12%.

Trabalho consensual, proteção social não

A maior parte dos trade-offs é consensual para os portugueses, mas o aumento das horas de trabalho e os sacrifícios na proteção social são questões para as quais há respostas com mais variação. Os resultados indicam que os inquiridos partilham maior consenso do lado dos benefícios, o que é lógico.

Também as opiniões em torno de aumentar a pressão no trabalho e o rendimento disponível reuniram um vasto consenso: mais de 70% dos inquiridos estavam de acordo com a necessidade de colmatar o fosso de produtividade que existe entre Portugal e outros países europeus, bem como a vontade de que as famílias aumentem os seus rendimentos em comparação com os países europeus mais ricos (resultados em linha com os de outros países com rendimentos reduzidos).

As alterações a nível da proteção social e das horas de trabalho revelaram a maior variação: enquanto 44% declararam disponibilidade para trabalhar mais horas, 33% preferiram manter o atual estado das coisas, e 23% preferiram trabalhar menos horas. Portugal já é um dos países da Europa onde se trabalha mais (ver gráfico).

No que se refere à proteção social, os inquiridos dividiram-se em partes iguais, revelando uma enorme disparidade. O indicador mais relevante parece ser o impacto percebido das alterações no sistema de pensões, em que uma parte da população com menos de 49 anos e menores rendimentos (inferiores a €500) está disposta a menor nível de proteção social (84%). Já a população com maiores rendimentos prefere manter ou aumentar a proteção social (75%). Esta divergência de opiniões é comum a Espanha e Itália, enquanto países como o Reino Unido, a França e a Suécia apresentam uma muito maior probabilidade de optarem pela redução da proteção social em troca de outros benefícios.

E a remuneração variável?

O aumento da produtividade é uma prioridade: 72% afirmaram estar disponíveis para ter maior pressão sobre a performance e aceitar mais meritocracia. E 74% dos inquiridos afirmam estar de acordo com uma componente variável dos salários, que apenas existe em 36% dos empregos. Uma maior nivelação entre a esfera pública e a privada é largamente aceite como mecanismo de estímulo à produtividade. De facto, 75% dos inquiridos, incluindo 53% dos funcionários públicos, consideram ser necessário alinhar as condições de trabalho e os salários a nível dos sectores público e privado.

Em média, os inquiridos estão dispostos a trabalhar uma hora extra por semana, em troca de outras melhorias. No entanto, perante a questão sobre se estariam disponíveis para trabalhar mais horas por semana com um horário flexível, os inquiridos foram eloquentes: 76% concordaram