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Juros da dívida portuguesa foram os únicos a subir esta semana

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Apesar de terem estacionado na sexta-feira em 2,79%, os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos subiram 10 pontos base durante a semana, enquanto nos restantes periféricos se registaram descidas, com destaque para Grécia e Itália. Custo dos cds para a dívida portuguesa subiu 35% numa semana. Bolsas mundiais caíram 1% na sexta-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

As Obrigações do Tesouro português (OT), no prazo a 10 anos, foram os únicos títulos soberanos na zona euro que registaram uma subida das yields no mercado secundário durante esta semana. As yields das OT, naquele prazo de referência, subiram 10 pontos percentuais (uma décima) entre 6 e 13 de novembro, fechando na sexta-feira em 2,79%, sem alteração em relação ao dia anterior.

O ponto crítico da semana foi a subida das yields daquelas OT logo a 9 de novembro, após ter ficado claro politicamente que havia um entendimento para um governo alternativo e para a rejeição do programa do governo da coligação na Assembleia da República (que ocorreu a 10), chegando a registar 2,91% durante a sessão de segunda-feira, uma trajetória altista que depois abrandou.

O prémio de risco da dívida portuguesa aumentou 24 pontos base durante a semana, tendo fechado em 223 pontos base (o equivalente a um diferencial de 2,23 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã que serve de referência). Nos restantes periféricos, apenas o prémio de risco da dívida espanhola subiu 1 ponto base; os restantes desceram, e significativamente para a dívida grega cujo prémio baixou dos 700 pontos base onde se mantinha desde final de outubro de 2014. Os analistas foram surpreendidos com o facto do PIB helénico do terceiro trimestre ter contraído apenas 0,5%.

O custo dos seguros contra o risco de incumprimento da dívida portuguesa (designados tecnicamente por credit default swaps, acrónimo cds) subiram 35% durante a semana, com o preço dos cds a fechar na sexta-feira em 221 pontos base.

DBRS não empurra rating da dívida portuguesa para especulativa

A semana foi, também, dominada pela especulação sobre a decisão que a agência de notação canadiana DBRS tomaria sobre o rating da dívida de longo prazo portuguesa. A agência acabaria por comunicar não ter mexido nem na notação nem na perspetiva da dívida de longo prazo portuguesa. A decisão só foi transmitida após o fecho dos mercados financeiros na Europa na sexta-feira.

A DBRS manteve a notação da dívida portuguesa em terreno não especulativo e a perspetiva em situação “estável”, retirando de cena o risco de uma exclusão a breve prazo da dívida obrigacionista portuguesa do programa de compras do Banco Central Europeu (BCE), caso tivesse cortado o rating para especulativo (vulgo “lixo financeiro”). Conforme o Expresso referiu na sexta-feira, a analista principal para Portugal da DBRS disse que foi crucial para a confirmação da notação a garantia do deputado Mário Centeno (responsável pelo programa macroeconómico do PS e indicado como ministro das Finanças em caso de indigitação de António Costa) de que o governo alternativo mantém “o compromisso com a União Europeia e a política económica europeia”.

As declarações sobre os riscos que pendem sobre a zona euro feitas pelo presidente Mario Draghi no dia 12 perante a Comissão de Assuntos Económicos e Financeiros do Parlamento Europeu acentuaram a probabilidade do BCE optar por mais estímulos monetários na próxima reunião de 3 de dezembro. O problema, disse Draghi, é que “a normalização sustentada da inflação [ou seja, a sua subida em direção à meta de 2%] poderá levar mais tempo do que o antecipado em março”.

A postura de Draghi influencia positivamente o mercado secundário da dívida soberana da zona euro, onde o banco central já adquiriu, até 6 de novembro, mais de 400 mil milhões de euros em obrigações soberanas. A confirmação da desaceleração da economia da zona euro no terceiro trimestre do ano, registando um aumento do PIB de apenas 0,3% em relação ao trimestre anterior, reforçou aquele “sentimento”.

Bolsas mundiais perdem 1%

No fecho de sexta-feira, as bolsas mundiais perderam 1,08%, segundo o índice MSCI, com as bolsas das economias emergentes a liderar as quedas com um recuo de 1,51%. O índice MSCI para os Estados Unidos perdeu 1,1%, o relativo à Europa recuou 1,05% e o da Ásia Pacífico caiu 1,01%. Desde o início do mês, a maior queda acumulada regista-se na Europa (mais de 4,5% de quebra nas bolsas dos 15 países que fazem parte do índice, incluindo Portugal), seguida das economias emergentes (-3,2% nas bolsas de 24 economias emergentes, incluindo Grécia, Hungria, Polónia e República Checa na União Europeia), dos EUA (-2,7%) e da Ásia Pacífico (-1,7% nas bolsas das 13 economias abrangidas).

O PSI 20, da Bolsa de Lisboa, perdeu cerca de 6% durante a semana que findou, com uma quebra assinalável de 4,05% no dia 9 de novembro. Desde início do mês de novembro, o PSI 20 já recuou 3,8%, mas desde início do ano ainda está com ganhos de cerca de 7,7%.

O final da semana ficou marcado pelo alerta do Fundo Monetário Internacional, numa nota para a reunião do G20 deste fim de semana, chamando a atenção para os riscos que ameaçam a economia mundial, com os temas em destaque do abrandamento da China, da queda dos preços das matérias primas e seu impacto nas economias emergentes, e das implicações nos mercados financeiros caso se concretize uma subida das taxas de juro da Reserva Federal norte-americana (Fed) na reunião de 16 de dezembro. O preço das matérias-primas caiu 3,2% durante a semana, segundo o índice da Bloomberg.

A presidente do Banco da Reserva Federal de Cleveland, Loretta Mester, confirmou na sexta-feira que a decisão da Fed “se aproxima rapidamente”, mas a probabilidade de isso acontecer na reunião de 16 de dezembro desceu de 70% a 6 de novembro para 66% a 13 de novembro, segundo o observatório da CME para a probabilidade implícita derivada dos futuros das taxas de juro da Fed.