Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Neeleman e Pedrosa podem ficar com 100% da TAP daqui a dois anos

  • 333

Pedrosa (à esquerda) e Neeleman (à direita) são os donos privados da TAP

José Carlos Carvalho

Privatização prevê opções de compra e venda que permitem o controlo privado total da companhia aérea no final de 2017

O consórcio Atlantic Gateway poderá ficar dono da totalidade do capital da TAP dentro de dois anos. É isso que está previsto no negócio fechado esta quinta feira à noite, em que o Estado formalizou a venda da maioria do capital da transportadora aérea ao agrupamento liderado por David Neeleman e Humberto Pedrosa.

Para já, a venda é de uma participação de 61%. Acresce a essa parcela uma outra, de 5%, que será vendida a trabalhadores. Caso os trabalhadores não comprem essa participação, Neeleman e Pedrosa podem ficar com a participação, que assim pode subir para 66%. O Estado fica, pois, com 34% da TAP. Para já.

É que o contrato inclui duas opções que, na prática, permitem que os 34% sejam automaticamente privatizados no final de 2017.

Por um lado, a Atlantic Gateway tem uma opção de compra desses 34% que pode exercer daqui a dois anos. Basta-lhe dizer que quer, o Estado é obrigado a vender. Por outro lado, o Estado tem uma opção de venda dos mesmos 34% que pode exercer na mesma data. Basta-lhe dizer que quer, a Gateway é obrigada a comprar.

No caso da opção de venda do Estado, contudo, o processo é diferente, pois a opção inclui vender a Neeleman ou vender a outro comprador, incluindo dispersar essa percentagem do capital em Bolsa. De qualquer das formas, nesse caso a transportadora ficará 100% privada.

Recorde-se que, como o Expresso noticiou no verão, o próprio consórcio Gateway poderá vender no futuro parte do capital da TAP em Bolsa, reduzindo a sua participação direta na empresa.

O PS defende que o Estado deveria manter a maioria do capital, e promete renegociar com o consórcio vencedor da privatização uma redução da sua participação. No entanto, como o Expresso Diário ontem revelou, a hipótese de reversão do negócio por via administrativa, que configuraria uma renacionalização, não está em cima da mesa dos socialistas, embora fosse esse o desejo do Bloco de Esquerda e do PCP. A privatização da TAP, relembre-se, não consta dos acordos entre os partidos de esquerda para viabilizar a formação de um governo PS.