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Manso Neto diz que situação política nacional não ameaça o sector elétrico

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O presidente da EDP Renováveis, João Manso Neto, acredita que a incerteza política em Portugal não é uma ameaça para o sector energético, dado que o Partido Socialista não deverá pôr em causa os compromissos assumidos com as instituições internacionais

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

"Do ponto de vista macroeconómico o PS sempre respeitou os acordos internacionais. Não há nenhuma razão para pensar que o PS cai pôr em causa a estabilidade regulatória", disse Manso Neto ao Expresso, à margem da conferência anual da Elecpor, s associação nacional do sector elétrico.

Frisando que "o sector elétrico não é um problema", já que Portugal já iniciou uma etapa de criação de excedentes tarifários para amortizar a dívida criada no passado, João Manso Neto mostrou estar pouco preocupado com a hipótese de o governo PSD CDS ser substituído por um Executivo do PS.

O PS tem, no entanto, algumas propostas que poderão ter impacto nas receitas das eletricas. Uma das ideias do PS é baixar os juros da dívida tarifária da eletricidade ao real custo de financiamento do sector. Mas segundo Manso Neto não há "de maneira nenhuma" um desequilíbrio a esse nível. "As taxas que remuneram a dívida tarifária já correspondem aos custos de financiamento das empresas", nota o gestor.

João Manso Neto aponta ainda a necessidade de os agentes políticos avançarem com uma revisão do modelo energético, não só em Portugal mas também no resto da Europa, porque "o mercado como está não dá sinais nenhuns de investimento".

O mesmo responsável defende que o desenho do funcionamento do sector deixe os produtores de energia menos expostos à volatilidade do mercado grossista. Manso Neto admite que isso envolve " questões complexas", mas realça que está "não é uma questão partidária".

Pensar em pôr as energias renováveis a operar sob preços de mercado, em vez de tarifas fixas, é, segundo Manso Neto, contraproducente, porque diminui o interesse dos investidores. "As renováveis no mercado acabam por cavar a sua sepultura, porque quanto mais renováveis houver mais baixo será o preço de venda da energia", observa.