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Em Portugal há mais de 125 mil automóveis afetados pela fraude da Volkswagen

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AXEL SCHMIDT/ REUTERS

De acordo com o Relatório Preliminar sobre o "Caso Volkswagen", existem em Portugal 125.491 veículos equipados com dispositivos que manipulam os dados relativos à emissão de gases poluentes

O secretário de Estado do Ambiente considerou esta sexta-feira que os efeitos da fraude da Volkswagen são menores em Portugal porque os 125.491 veículos afetados representam 4,8% do total de ligeiros a diesel e 2,8% da frota nacional.

"Proporcionalmente, em Portugal o impacto será menor do que em países como a Espanha ou a França, porque o número de veículos afetados é menor", disse Paulo Lemos num encontro com jornalistas, no Ministério da Economia, para apresentação do Relatório Preliminar sobre o "Caso Volkswagen", elaborado pelo respetivo grupo de trabalho.

De acordo com o documento, existem em Portugal cerca de 4 milhões de veículos, "pelo que os veículos afetados representam uma percentagem diminuta do total da frota".

Segundo o relatório preliminar que foi apresentado também pela secretária de Estado da Economia, Vera Rodrigues, existem em Portugal 102.140 veículos afetados das marcas Volkswagen, Audi e Skoda e mais 23.351 da marca Seat.

No total, são 125.491 os veículos com dispositivos que manipulam os dados relativos à emissão de gases poluentes.

O grupo de trabalho estima, no seu relatório preliminar, que esta situação provoca um agravamento das emissões nacionais de óxidos de azoto de cerca de 1,7%, relativamente a 2013.

Em relação às irregularidades relativas às emissões de dióxido de carbono, "não é ainda possível fazer uma estimativa uma vez que não se conhece o número de veículos afetados em Portugal nem que tipo de manipulação das emissões estará em causa".

O relatório refere também que ainda não tem informação suficiente para calcular, com rigor, os impactos fiscais decorrentes da fraude. "Para tal será necessário conhecer o número de veículos que foram objeto de adulterações, os valores reais das emissões de CO2 e o período temporal em que as referidas adulterações ocorreram", diz o documento.

O Governo reafirmou que acionará todos os meios legais e operacionais para recuperar junto do grupo Volkswagen a receita fiscal que possa estar em falta em resultado da adulteração das emissões poluentes.

A secretaria de Estado da Economia garantiu que o grupo de trabalho vai continuar a trabalhar em articulação com a SIVA e com a SEAT Portugal, para esclarecer todos os pormenores relacionados com a recolha de veículos para a sua reparação de modo a salvaguardar todos os interesses dos proprietários.

"A Volkswagem tem dado uma garantia de transparência nesta questão, dando uma garantia adicional a todos os proprietários, porque quer resolver os problemas de todos os carros afetados", disse Vera Rodrigues aos jornalistas.

A governante anunciou que uma delegação do grupo de trabalho vai dia 24 à Alemanha para fazer uma visita técnica ao KBA, a autoridade de homologação alemã que está a monotorizar esta matéria.

A delegação será constituída por um representante da Direção Geral do Consumo, outro do Instituto de Mobilidade e Transportes e outro da Agência Portuguesa do Ambiente. "Vamos fazer esta visita técnica para tentar obter informação mais apurada sobre as emissões de CO2", disse Vera Rodrigues.

A 18 de setembro foram conhecidos publicamente os resultados de testes a emissões poluentes de viaturas equipadas com motores 'diesel' do grupo Volkswagen, concluindo-se pela existência de viaturas equipadas com um dispositivo que permite a manipulação de informação relativa a emissões poluentes, tendo o grupo alemão admitido a existência em todo o mundo de 11 milhões de carros nestas circunstâncias.

Quando foi conhecido o escândalo, o Governo criou um grupo de trabalho para acompanhar o impacto da fraude da Volkswagen.
O grupo Volkswagen detém em Portugal a fábrica da Autoeuropa, que já garantiu que os seus investimentos não serão postos em causa.