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Bolsas da Europa reabrem no vermelho. Juros da dívida estão a descer

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O mercado bolsista na Europa abriu em terreno negativo, com Amesterdão e Paris a liderar as quedas. PSI 20, da Bolsa de Lisboa, abriu sem um sentido ainda definido. Juros da dívida dos periféricos abriram a descer

Jorge Nascimento Rodrigues

Depois de uma quinta-feira registando perdas de 1,41%, o mercado bolsista europeu voltou a reabrir em terreno negativo, com Amesterdão e Paris a liderar as quedas. Lisboa e Zurique abriram ligeiramente em terreno positivo esta sexta-feira, mas rapidamente resvalaram para o vermelho, com o índice PSI 20 a regressar, depois, acima da linha de água. A Ásia já fechou esta última sessão da semana no vermelho. É ainda cedo para ver qual a direção que as bolsas na Europa vão tomar neste final de semana.

No mercado secundário da dívida soberana da zona euro, as yields dos países periféricos do euro abriram a descer, com exceção da Grécia. As yields das Obrigações do Tesouro português (OT), a 10 anos, abriram a descer ligeiramente para 2,77%. Na quinta-feira subiram para 2,79%, abaixo do máximo da semana em 2,91% registado durante a sessão de segunda-feira. Desde início do mês, as yields daquelas OT subiram 38 pontos base, liderando os aumentos nas economias desenvolvidas (por ordem decrescente, seguiram-se Austrália, Canadá, Estados Unidos e Suécia com subidas acima de 20 pontos base).

Entretanto, a agência de notação Fitch, já depois do fecho dos mercados europeus na quinta-feira, cortou em dois níveis a notação da dívida da Catalunha, descendo o rating de BBB- para BB com perspetiva negativa, devido ao processo independentista iniciado a 9 de novembro no Parlamento catalão e face a uma situação de liquidez "frágil". Uma situação em evolução rápida numa Espanha, em que "a quarenta dias das eleições [legislativas marcadas para 20 de dezembro], o panorama eleitoral se apresenta complicadíssimo", como o demonstra a análise de cenários realizada por Kiko Llaneras na edição online desta sexta-feira do jornal "El Español".

Árbitro inverosímil divulga hoje decisão sobre rating de Portugal

Depois do fecho esta sexta-feira dos mercados financeiros na Europa, a agência de notação canadiana DBRS divulgará a sua avaliação do rating da dívida de longo prazo portuguesa que tem mantido com uma classificação não especulativa, ao contrário das três outras principais agências que a consideram em terreno especulativo (vulgo "lixo financeiro").

O risco para a dívida portuguesa é que se materialize um corte da notação das Obrigações do Tesouro para "lixo financeiro", o que as tornaria não elegíveis nomeadamente para o programa de compras de dívida pública no mercado secundário por parte do Banco Central Europeu (BCE) iniciado em março. O BCE já comprou até final de outubro 8,95 mil milhões de euros em dívida portuguesa com uma maturidade média de 10,6 anos.

O analista Neil Unmack, dos "Breaking Views" da Reuters, que chamou a atenção esta semana para aquele risco e para o papel de "árbitro implausível" da DBRS, disse-nos que a probabilidade é que a agência canadiana dê tempo para ver como a situação evolui antes de se decidir por cortar o rating português. O analista norte-americano Marc Chandler refere-nos que a agência canadiana poderá, por ora, alterar apenas a perspetiva sobre a dívida portuguesa de estável para negativa.

  • As palavras de Mario Draghi tiveram um efeito imediato de descida nos juros mas foi sol de pouca dura para as obrigações portuguesas e espanholas e os prémios de risco e o preço dos cds subiram para as duas dívidas. Maré vermelha nas bolsas europeias e em Wall Street. Bolsas mundiais recuam mais de 1%