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“A gente vai conseguir um melhor empreso”. Neeleman, o “gringo que fala brasileiro”

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José Carlos Carvalho

David Neeleman falou pela primeira vez aos trabalhadores da TAP. Pediu serviço ao cliente. Disse que vai concorrer com as low-cost. E explicou que não tem planos para despedir

David Neeleman falou pela primeira vez aos trabalhadores da TAP como novo dono da empresa. Num encontro no refeitório da sede da empresa, em Lisboa, no dia seguinte ao fecho da privatização, o empresário apresentou-se como "um gringo que fala brasileiro". "No semano passado [sic], não havia dinheiro."

"Quando nós ontem assinámos os papéis, eu senti uma grande responsabilidade. Mas isso não é nada em comparação com o peso que eu sinto hoje olhando para vocês. Atrás de cada um de vocês há famílias. E sabemos que a economia aqui em Portugal tem estado difícil, com muito desemprego."

"A gente vai consegui um melhor empreso" (sic), disse, pedindo aos trabalhadores "uma cultura de serviço", centrando toda a atividade da empresa no cliente, prometendo ferramentas para isso e propondo "uma comunicação aberta". E prometeu formação para tornar os trabalhadores a tornarem-se líderes. "Se vocês acharem que este é o melhor emprego da minha vida, o cliente vai dizer 'esse foi o melhor voo da minha vida' e vai querer voltar".

"Em quase todas as áreas onde operamos há dificuldades", disse, começando por Angola, que por causa da queda do preço do petróleo "já não é o negócio que era". Já no Brasil, "o maior problema é o câmbio". "Talvez o maior desafio que temos são as operadores de low-cost", disse, contando que quando aterrou há dias no aeroporto do Porto viu 12 aviões de operadores "low-cost": "Nossa!"

Depois da capitalização da empresa, "vai ter mais de mil milhões de euros para investimento", o que permitirá a empresa comprar novos aviões. Além disso, a TAP vai "reforçar parcerias", incluindo com a Azul, que é propriedade de David Neeleman. "Há muitas sinergias entre as duas empresas".

TAP é "uma marca bonita, eu gosto", disse. E Lisboa é "o melhor lugar da Europa para fazer conectividade entre a Europa, América Latina e África", afirmou.

Não há despedimentos
"Há uma coisa que vocês têm de saber. Há uma grande crise no Brasil, nós temos gente sobrando lá". Dos nove mil trabalhadores, a Azul só precisa de oito mil, disse. "Mas não há demissões". E não há, prosseguiu, porque as pessoas são o ativo mais importante. "Aeronove toda a gente tem". A mensagem foi claramente de que não haverá despedimentos na TAP.

Combater com as low-cost
"Temos de combater com a Ryannair", pelo que a TAP precisa de entrar em concorrência também em preço. Mas com mais frequência de voo, com melhor serviço, "segmentando e ajudando os clientes a escolher" desde logo o serviço e o tipo de bilhete/preço que pretende. "Flexibilidade", disse, para concorrer com as "low-costs", o que significa que haverá perços diferenciados mas também serviços diferenciados na TAP.