Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Draghi pisca o olho a mais estímulos e juros da dívida descem

  • 333

OLIVIER HOSLET / EPA

Uma normalização da inflação pode levar mais tempo do que o previsto e por isso o BCE poderá decidir tomar mais medidas. Juros da dívida dos periféricos em queda

As yields das obrigações dos periféricos do euro estão a cair, depois de uma abertura em alta. As palavras de abertura de Mario Draghi esta quinta-feira na Comissão de Assuntos Económicos e Financeiros do Parlamento Europeu em Bruxelas provocaram um efeito positivo no mercado da dívida, segundo analistas. No seu discurso escrito introdutório à sessão de perguntas e respostas, o presidente do Banco Central Europeu (BCE) deu “sinais” de que a reavaliação da política monetária na reunião de 3 de dezembro poderá conduzir a mais estímulos se for necessário. "Riscos negativos derivados do crescimento e do comércio global são claramente visíveis", sublinhou Draghi.

As yields das Obrigações do Tesouro português a 10 anos desceram pelas 9h15 (hora de Lisboa) para 2,705%, um recuo de seis pontos base em relação à abertura desta quinta-feira em 2,77%.

Nos países do “centro” da moeda única a trajetória de descida já provocou um novo mínimo histórico no custo de financiamento das obrigações alemãs a 2 anos que registaram uma yield negativa recorde de -0,372%. A amplitude dos prazos das obrigações alemãs com yields negativas alargou-se esta manhã até 6 anos e entre 12 meses e 4 anos as yields estão em níveis mais negativos do que a referência da taxa de remuneração dos depósitos dos bancos nos cofres do BCE fixada em -0,2% que define o perímetro para compras de dívida pública no mercado secundário.

No mercado bolsista europeu não se registou viragem após as palavras de Draghi, com os índices mantendo-se no vermelho, destacando-se quedas superiores a 1% no Ibex 35, na bolsa de Madrid, e no ATX da bolsa de Viena.

Draghi reafirmou que “segundo a perspetiva de hoje, uma normalização sustentada da inflação pode levar mais tempo do que o previsto em março, quando fizemos a primeira avaliação do impacto global das nossas medidas” (de política monetária, no quadro das taxas de juro diretoras e do programa de compras de ativos). Os analistas registaram na intervenção do presidente do BCE: “Se concluirmos que o nosso objetivo de estabilidade de preços a médio prazo está em risco, agiremos utilizando todos os instrumentos disponíveis dentro de nosso mandato para garantir que um grau adequado de acomodação monetária é mantida. Consistente com a nossa orientação para o futuro, o programa de compra de ativos é considerado um instrumento particularmente poderoso e flexível”. E, mais adiante: “Na verdade, sempre dissemos que as nossas compras poderiam ir para além do final de Setembro de 2016 no caso de não observarmos um ajustamento sustentado no caminho da inflação, que é consistente com o objetivo de alcançar taxas de inflação abaixo, mas próximo, de 2% a médio prazo. Outros instrumentos também podem ser ativados para reforçar o impacto do programa de compra caso seja necessário”.

No quadro do debate com os deputados europeus, Draghi deu a entender que o BCE está a estudar retirar o controlo nacional (por parte dos bancos centrais locais dos membros do euro) das linhas de liquidez de emergência (ELA, no acrónimo em inglês) e passa-lo para o BCE. Sobre a pressão das agências de rating privadas não europeias (um tema que interessa em particular a Portugal na atual conjuntura), o presidente do banco central da moeda única deixou a interrogação aos deputados se uma agência europeia de notação seria efetivamente independente e encarada como tal pelos investidores.