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Sábios alemães querem que BCE acabe com os estímulos

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O Relatório Económico Anual publicado pelo Conselho de Peritos Económicos Alemães advoga que o Banco Central Europeu deve definir um prazo para acabar com a atual política de taxas de juro baixas e compras de dívida

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco Central Europeu (BCE) deve desacelerar a expansão do seu balanço, ou inclusive acabar com esse processo mais cedo do que o anunciado, diz esta quarta-feira em Wiesbaden o comité dos “cinco sábios” alemães.

O Relatório Económico Anual do Conselho de Peritos Económicos Alemães advoga que o BCE deve definir e comunicar um prazo para acabar com o atual quadro da sua política monetária “acomodatícia” quer em termos de taxas de juro baixas quer quanto ao programa de compras de dívida. A equipa de Draghi deve evitar “um atraso por muito mais tempo” dessa decisão. Só uma opção desse tipo poderá “impedir efetivamente a acumulação de riscos no sistema financeiro”, evitando “a geração de condições para uma nova crise financeira”, diz o relatório dos “cinco sábios”.

Os peritos apontam os malefícios da atual política monetária seguida por Draghi. Em primeiro lugar, as taxas de juro baixas provocam a “erosão dos ganhos dos bancos e das companhias de seguros e aumentam o apetite pelo risco”. E, em segundo lugar, o programa de compras de dívida pública dá um “incentivo” aos governos da zona euro para um adiamento das reformas estruturais e da consolidação orçamental.

O grupo de cinco sábios - incluindo uma mulher, a professora de Finanças Isabel Schnabel - funciona como painel de aconselhamento do governo alemão, sendo nomeados pelo Presidente da República alemão sob proposta do executivo.

Num momento em que os analistas apontam para uma probabilidade elevada do BCE, na sua próxima reunião de 3 de dezembro, optar por mais medidas de estímulos monetários face à reavaliação que está a preparar das suas políticas, os sábios alemães vêm propor o caminho inverso, adotando a estratégia da Reserva Federal norte-americana ao desativar o seu programa de quantitative easing, numa primeira fase até final de outubro do ano passado, e ao iniciar, numa segunda fase, uma subida das taxas de juro dos atuais mínimos históricos perto de 0%, eventualmente até final de dezembro.

Mario Draghi abriu esta quarta-feira em Londres, ao início da tarde, uma conferência organizada pelo Banco de Inglaterra, mas não inseriu na sua intervenção qualquer comentário sobre política monetária do BCE, frustrando as expetativas dos analistas.