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PSI 20 abre a ganhar em linha com Europa. Juros da dívida sobem

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Na abertura de quarta-feira, as bolsas europeias abriram com ganhos, depois da Ásia ter fechado em terreno "misto". Juros da dívida na maioria dos membros da zona euro sobem no mercado secundário. Juros das Obrigações do Tesouro português sobem para 2,83%

Jorge Nascimento Rodrigues

O índice PSI 20 da Bolsa de Lisboa lidera as subidas na Europa esta quarta-feira, com ganhos superiores a 1%, vinte minutos depois de abrir a subir 0,04%. As bolsas europeias abriram em terreno positivo com as bolsas de Lisboa, Frankfurt, Bruxelas e Estocolmo a liderarem as subidas pelas 8h20 (hora de Lisboa).

No mercado secundário da dívida soberana, as yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência a 10 anos subiam para 2,83% em linha com o movimento no resto da zona euro, mas com uma subida maior do que nos restantes periféricos do euro.

No fecho de terça-feira, já depois da queda do governo de coligação em Lisboa, as yields das OT no prazo de referência registaram uma descida de oito pontos base para 2,77%, em linha com as descidas em Espanha, Itália, Irlanda e nos países do centro do euro. A maior descida verificou-se no caso das obrigações espanholas, cujas yields desceram 10 pontos base, fechando em 1,87%. A exceção foram as obrigaçoes gregas com as yields em trajetória ascendente com o governo em Atenas esperando poder encerrar até final desta semana os temas pendentes na atual negociação no âmbito do primeiro exame ao andamento do terceiro resgate.

Os mercados da dívida aguardam eventuais "sinais" por parte de Mario Draghi e Vítor Constâncio, respetivamente presidente e vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), que terão intervenções públicas esta quarta-feira à tarde. Draghi abrirá um forum financeiro em Londres organizado pelo Banco de Inglaterra e Constâncio está em Madrid num encontro de alto nível entre o Eurosistema e os banqueiros centrais latino-americanos.

Face ao aumento dos riscos politicos sinalizados pelos analistas em relação à Península Ibérica, com a subida recente do preço dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento da dívida soberana) para Portugal e Espanha, e ao quadro de inflação baixa persistente na zona euro, 75% dos especialistas ouvidos pela Reuters apontam para a probabilidade do BCE decidir na próxima reunião a 3 de dezembro ampliar os estímulos monetários. Os analistas falam de três opções: aumento do volume mensal de compras de ativos de 60 para 75 mil milhões de euros, ampliação do limite de prazo idicativo para a intervenção de setembro de 2016 para junho de 2017, e fixação da taxa de remuneração dos depósitos dos bancos nos cofres do BCE em, pelo menos, -0,3%, mais agravada do que atualmente (em -0,2%).

Uma agência de rating árbitro inverosímil de Portugal

Um dos riscos que poderão emergir na próxima semana prende-se com a decisão da agência de notação canadiana DBRS em relação ao rating da dívida portuguesa que deverá ser comunicada na sexta-feira após o fecho dos mercados financeiros na Europa.

Num artigo desta quarta-feira em os «Breaking Views» da Reuters, Neil Unmack sublinhava o papel de "árbitro implausível" daquela agência. Caso corte a notação portuguesa do atual nível BBB-baixo, ainda em terreno de dívida não especulativa, para BB, já considerada especulativa (vulgo "lixo financeiro"), as obrigações portuguesas tornam-se ineligíveis para serem compradas pelo programa do BCE. A notação confirmada em novembro de 2014 pela DBRS é a única, entre as principais agências de rating, que não considera especulativa a dívida portuguesa, o que permite ao BCE incluir as obrigações portuguesas no programa de compras de dívida pública no mercado secundário e aceitar os títulos do Tesouro detidos pelos bancos portugueses como garantia dos empréstimos que estes pedem junto das linhas de financiamento do banco central. Unmack é de opinião que, caso a DBRS opte pelo corte de notação (e não apenas por alterar negativamente a perspetiva atualmente "estável"), o BCE deverá "retirar o salva-vidas a Portugal".

Na Alemanha, um político da CSU (o partido bávaro aliado da CDU de Angela Merkel), Peter Gauweiler, colocou mais um processo no Tribunal Constitucional alemão contra a atuação do Banco Central Europeu, desta vez em relação ao programa de compras de dívida pública no mercado secundário lançado em março deste ano, e em particular contra Draghi, acusando-o de estar a agir em interesse próprio beneficiando Itália.

As bolsas da Europa fecharam na terça-feira com uma perda global de 0,4%, segundo o índice MSCI para a região, acompanhando o mau desempenho na Ásia Pacífico e nas economias emergentes, que lideraram as quedas. Escapou Wall Street, cujos principais índices Dow Jones e S&P 500 fecharam ligeiramente em terreno positivo. As bolsas na Ásia, que já fecharam esta quarta-feira, registaram ganhos nos principais índices das bolsas chinesas (Xangai e CSI 300) e em Tóquio, Sidney, Seul e Mumbai, mas encerraram no vermelho em Taipé e Hong Kong.

  • O índice PSI-20 fechou esta quarta-feira a cair 0,33% num dia volátil em toda a Europa. Os juros da dívida recuaram depois de na segunda-feira terem atingido o máximo de quatro meses. A pressão alivia nos mercados mas a incerteza política continua a ser um risco aos olhos dos investidores