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Mário Centeno defende consolidação orçamental

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Marcos Borga

Em entrevista ao “Financial Times”, o coordenador do programa económico do PS garante que Governo socialista não vai atirar dinheiro para a economia para impulsionar o crescimento

Seguir o caminho da consolidação orçamental e não atirar dinheiro para a economia para impulsionar o crescimento são as garantias dadas por Mário Centeno, coordenador do programa económico do PS, para um Governo socialista apoiado pela extrema esquerda.

Em entrevista ao jornal britânico "Financial Times", o prossível ministro das Finanças de um novo Governo socialista avança: "Nós vamos ficar no caminho da consolidação fiscal". "Não é a direção que estamos a questionar, mas a velocidade da viagem." O défice orçamental e dívida pública vão permanecer numa "trajetória consistente de queda", remata.

O "FT" prossegue escrevendo que o primeiro-ministro Passos Coelho conduziu Portugal através de um resgate doloroso e foi reconduzido depois de sua coligação de centro-direita ter saído das eleições de 4 de outubro como a maior força política. No entanto, perdeu a maioria absoluta, tornando-o vulnerável a uma aliança sem precedentes entre a oposição socialista e a extrema esquerda.

O artigo do correspondente em Lisboa do jornal britânico dá conta de que a perspetiva de um Governo PS suportado com o apoio dos radicais do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Comunista de linha dura atingiu as ações dos bancos portugueses e levou os custos de financiamento do Estado para máximos de cinco meses.

Mário Centeno considera, porém, que a reação dos mercados não tem razão de ser, afirmando que a ideia de que ele estava planear "um estímulo pura e simples da procura interna" é superficial e errada. "Não é fácil para reduzir a nossa abordagem a dois ou três slogans". "Vamos continuar a reduzir o défice e a dívida, mas a um ritmo mais lento. Isto irá criar o espaço económico necessário para aliviar as restrições financeiras muito graves que as famílias e as empresas enfrentam. "

Sobre a queda das acções dos bancos, Centeno culpa o Governo, dizendo que teve pouco a ver com o programa PS, antes refletiu "a fragilidade do sistema financeiro de Portugal", que Passos Coelho "não conseguiu resolver".