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Humberto Pedrosa: dificilmente aceitarei baixar compra da TAP para 49%

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José Carlos Carvalho

Sócio português do consórcio que está comprador de 61% do capital da companhia aérea diz que posição minoritária na TAP não é interessante para ninguém. Em declarações à TSF, Humberto Pedrosa afirma estar disponível para conversar com um novo governo, mas defende que a TAP deve ter gestão privada e avança que a operação de venda deverá ficar fechada esta quinta-feira

"O próximo governo, se quiser alterar alguma coisa, é uma questão de se falar para ver o que é possível. O que não é interessante para a TAP, nem para nós, é ficar numa situação minoritária sendo o Estado o maior accionista. A ficar assim,é preferivel ficar 100% na mão do Estado", diz Humberto Pedrosa à TSF. O dono da Barraqueiro adianta ainda que o acordo final de compra de 61% do capital da empresa deverá ficar fechado esta quinta-feira.

Estas declarações surgem na sequência da notícia desta terça-feira do Diário Económico, que avançava que o sócio português admitia ficar com uma posição minoritária na TAP caso um eventual Governo PS mantenha a intenção de reverter o processo de alienação da maioria do capital da transportadora.

No seu programa de governo, o PS considera que “uma ferramenta de primeira ordem para a projeção internacional de Portugal é a sua companhia aérea de bandeira, a TAP, que é um veículo fulcral de ligação à África lusófona, ao Brasil, aos principais destinos da emigração portuguesa e à promoção da internacionalização da economia portuguesa”. Assim, e conforme tem defendido, “o governo não permitirá que o Estado perca a titularidade sobre a maioria do capital social da TAP, encontrando formas – designadamente através de uma efetiva ação junto das instituições europeias e do mercado de capitais – de capitalizar, modernizar e assegurar o desenvolvimento da empresa, ao serviço dos portugueses e de uma estratégia de afirmação lusófona”.

Com o fecho do negócio em curso agendado para esta quinta-feira, a não ser que haja acordo entre um putativo governo de esquerda e o consórcio comprador, haverá despesas a pagar. O Estado tem pela Constituição o dever de indemnizar os compradores com base nos prejuízos da operação (despesas realizadas mais lucros esperados), mesmo que venha a invocar o “interesse público” para anular a venda. Nesse caso, teria também de lhes devolver o sinal de 2 milhões de euros já pago em junho, bem como os 8 milhões de euros entregues no momento em que a operação fique fechada.

Se a privatização for revertida, Humberto Pedrosa diz que vai ter "muita pena" mas que ao mesmo tempo se sentirá aliviado da responsabilidade que hoje já tem sobre a empresa.