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Bolsa de Lisboa abre novamente em queda

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Arranque de sessão negativo em Portugal contraria tendência positiva da maioria das bolsas europeias

A Bolsa de Lisboa voltou esta terça-feira a abrir em queda, depois de na véspera ter fechado a sessão com o terceiro pior desempenho do ano, com um recuo de 4,05%.

Às 8h20, a praça lisboeta caía 1,32%, o que a colocava de novo como a Bolsa europeia com pior desempenho até ao momento. Ao contrário de segunda-feira no entanto, em que a maioria das praças europeias se situou no vermelho, no arranque da sessão desta manhã a esmagadora maioria dos índices bolsistas europeus encontrava-se em terreno ligeiramente positivo.

A essa hora, as quedas na Bolsa lisboeta eram lideradas pelas acções do Banif, que estavam a desvalorizar 8%, para os €0,0023.

O analista Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB, considera que "a evolução do PSI20 continua a ser marcada pelos factores políticos internos". Ontem, iniciou-se a discussão do programa de governo da coligação vitoriosa das eleições do passado dia 4 de Outubro e hoje serão votadas as moções de rejeição da oposição com a esperada queda do executivo. A principal preocupação dos investidores reside na incapacidade de um governo chefiado por António Costa, em alternativa ao entretanto empossado pelo Presidente da República, respeitar a trajectória de credibilidade iniciada pelos governo PSD-CDS. Medidas que comprometem o Tratado Orçamental e elevam o valor da nossa dívida fazem soar os alarmes dos juros da dívida soberana nos mercados", argumenta.

Este contexto tem, de resto, seguno Pedro Ricardo Santos, outros efeitos. "A yield de referência para a dívida de 10 anos subiu, desde as últimas eleições, 60 pontos base, num período em que o BCE mantém as compras destes títulos aos bancos da zona euro e aumentou o spread face à dívida alemã. Como resultado, as agências de rating que avaliam a qualidade da dívida portuguesa começam a lançar alguns alertas e, no limite, como resultado da redução de rating de algumas delas, Portugal pode deixar de ser alvo das compras do BCE no programa de QE. Este movimento das yields afecta sobretudo o sector bancário, aquele que mais exposto está à dívida nacional".