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OCDE estima que a instabilidade política pode penalizar crescimento no médio prazo

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"O investimento empresarial não vai ser suficientemente vigoroso para acelerar a criação de emprego", conclui a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico nas previsões hoje divulgadas

A OCDE deixou hoje um aviso aos atores políticos de Portugal, alertando que “a instabilidade política pode abrandar as reformas, o que vai pesar nas perspetivas de crescimento de médio prazo”.

No “Economic Outlook” hoje divulgado, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) refere-se aos riscos que a economia portuguesa enfrenta, além dos políticos.

Para a instituição, “excluindo o declínio da atividade em Angola, os riscos são sobretudo domésticos”, destacando, nomeadamente, que “o alto endividamento, privado e público, e a baixa rentabilidade dos bancos continuam a ser uma fonte importante de vulnerabilidades”.

A OCDE antecipa, no relatório preparado pelo departamento de Estudos Económicos Nacionais liderado pelo ex-ministro Álvaro Santos Pereira, que “o investimento empresarial não vai ser suficientemente vigoroso para acelerar a criação de emprego e dar uma base mais forte para o crescimento do consumo assim que as empresas concluírem a recuperação do capital perdido”.

Para que as exportações cresçam e para garantir uma redução sólida da dívida externa, será preciso realizar “mais reformas estruturais para aumentar a competitividade e o crescimento potencial”.

A OCDE reitera também que “é necessária uma ampla avaliação dos efeitos das recentes reformas estruturais, incluindo uma avaliação ao progresso na sua implementação”.

Para a OCDE, a redução da alta percentagem de desempregados de longa duração e da proporção de jovens que não estudam e que não trabalham “iria aumentar o produto e reduzir a desigualdade e a pobreza”.

No setor energético, sublinhando que “Portugal tem sido líder nas energias renováveis”, a OCDE adverte que o legado dos sistemas de remuneração deram “rendas significativas” às empresas energéticas e defende que, “apesar de as medidas já terem gerado uma redução considerável destas rendas, devem ser tomadas medidas adicionais para as reduzir ainda mais e para impulsionar a competitividade no setor”.

Além disso, a OCDE destaca ainda que “reforçar a dependência dos impostos verdes, ao mesmo tempo que se reduzem outros impostos, iria melhorar os incentivos para investir e promover o crescimento sustentável”.