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O que mais temem os investidores

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O índice PSI-20 cai 3,5% com a banca entre os setores mais castigados. Os juros da dívida soberana disparam. A incerteza política afasta os investidores que temem um país paralisado e um eventual atraso na esperada melhoria da opinião das agências de rating sobre Portugal

A Bolsa portuguesa afunda e os juros da dívida soberana estão em máximos de quatro meses perante o aumento dos riscos políticos no país.

O PSI-20 cai 3,5% num dia em que os títulos da banca afundam, com o Millennium bcp a perder 9%, o BPI a recuar 7,7% e o Banif a perder 11%.

A queda da praça portuguesa contagia negativamente as pares europeias. O índice FTSEurofirst 300 derrapa 0,67% a acentuar as quedas do dia.

"Se existe algo que os investidores não gostam é de cenários de incerteza, e a perceção da retirada das medidas de austeridade nas contas públicas será certamente ponderada pelas agências de rating nas suas avaliações regulares", afirma Luís Tavares Bravo, partner da Dif Broker.

"Nessa altura poderão ser levantados os riscos inerentes ao país em termos de risco de crédito e no que isso implica em termos de notação do rating", diz. Lembra que algumas agências de rating que tinham anunciado uma vigilância positiva – permitindo a subida para nível de investimento e que significa a normalização do acesso de Portugal ao financiamento internacional – podem adiar a decisão. O que irá também retirar o interesse de investidores em investir diretamente no país – processo que estava em curso, com entradas significativas nos últimos 12 meses, sobretudo.

As yields da dívida soberana portuguesa a 10 anos seguem em máximos de quatro meses.

Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal frisa que "a expectativa de um abandono completo das medidas de austeridade, aumenta a probabilidade de algumas agências de rating reverem em baixa a qualidade da nossa dívida, com possíveis impactos no dinheiro que mensalmente o BCE injecta na nossa economia, através do sistema bancário português".

"Nós já estávamos a ver as coisas a ficarem piores antes de eventualmente melhorarem", diz David Schnautz, analista do Commerzbank.

"A parte que está a piorar é o caso no mercado hoje já que a esquerda está perto de derrubar o governo minoritário de centro-direita" afirma, apontando que o facto de os partidos de esquerda serem anti-austeridade preocupa os investidores. .

"Apesar do IGCP não ter anunciado nenhuma venda de obrigações na quarta-feira, a dívida soberana portuguesa está sob pressão massiva, afastando-se cerca de 15 pontos base face a Itália na maturidade a 10 anos e em cerca de 9 nove pontos base face a Espanha (que também sofre com notícias sobre a Catalunha)", refere.

Para Pedro Ricardo Santos, "a luz verde do PCP com todas as suas resistências ao cumprimento do tratado orçamental lança receios, relativos à credibilidade da economia portuguesa".

Aponta que existem no mercado "dúvidas face à capacidade de um governo de esquerda continuar o trabalho de restauro da credibilidade externa da nossa economia".