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Bolsas na Ásia a duas velocidades. Xangai e Tóquio alimentam ganhos

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O padrão do final da semana passada permanece. As bolsas chinesas e japonesa fecham esta segunda-feira com os índices a subir, enquanto o resto da Ásia regista perdas. A região foi abalada pela divulgação da quebra das exportações e importações da China em outubro

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas da Ásia continuam a registar duas velocidades esta segunda-feira, prosseguindo o padrão do final da semana passada. Japão e China continuam a fechar com ganhos, enquanto o resto da região regista quedas nas bolsas. Apesar das duas velocidades, o índice MSCI para a região fechou em terreno positivo, com um ganho ligeiro de 0,03%.

O índice composto da Bolsa de Xangai ganhou 1,58%, o índice A50 subiu 1,61% e o índice CSI 300 (das 300 principais cotadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen) avançou 1,24%. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 subiu 1.96% e o TOPIX avançou 1,75%. Sidney, Seul e Taipe fecharam no vermelho, com a bolsa australiana a liderar com uma queda de 1,83% do índice ASX 200, e os índices Hang Seng, de Hong Kong, e BSE Sensex, de Mumbai, negoceiam no vermelho.

O começo da semana foi agitado pela divulgação no fim de semana dos dados de outubro relativos ao comércio internacional da China, o motor da região e a maior economia do mundo (segundo as estatísticas do Fundo Monetário Internacional). As exportações chinesas caíram 6,9%, depois de no mês anterior terem recuado 3,7%, e as importações reduziram-se em 18,8%. A quebra nas importações afeta seriamente os parceiros comerciais da China na região.

Os analistas chamam a atenção para a expetativa na China de que Pequim avance com mais estímulos à economia para “gerir” o abrandamento económico e os investidores estão na expetativa do fim da suspensão das entradas em bolsa (IPO) decretada em julho, o que reanimará as bolsas chinesas a partir de 20 de novembro, quando estão agendadas 10 operações das 28 que ficaram suspensas no verão. Em Tóquio, os analistas sublinham a desvalorização do iene face ao dólar, em cerca de 2,1% desde o início do mês, o que favorece as exportações nipónicas. A queda do iene (tal como do euro, que se desvalorizou face ao dólar em mais de 3% nos últimos 30 dias) correlaciona-se com o aumento da probabilidade de que a Reserva Federal norte-americana inicie o processo de subida das suas taxas de juro, que estão em mínimos históricos, já na próxima reunião de dezembro.

Apesar de Tóquio, Xangai e Shenzhen terem estado a puxar pelas bolsas na região, o índice MSCI para a Ásia Pacífico regista uma queda de 0,54% desde início de novembro. Desde início do ano, caiu mais de 3%, um desempenho pior do que os índices MSCI para a Europa (-2,42%), para os Estados Unidos (-1,99%) e para o conjunto das bolsas mundiais (-1,43%). Só as economias emergentes, no conjunto, registam um desempenho pior, com uma quebra desde início do ano de 10,86%, segundo o índice MSCI, refletindo uma situação em que a onda de choque do abrandamento da economia chinesa mais se faz sentir a par da quebra dos preços das matérias-primas que afeta particularmente os emergentes exportadores líquidos de commodities.