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Acordo da esquerda preocupa mercados

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O PSI-20 está a cair 1,86% ao final da manhã. “O mercado não vê com bons olhos este acordo. PCP é mais intransigente do que o Bloco”, diz um analista

A Bolsa portuguesa prossegue a sessão desta segunda-feira no vermelho, com a banca e a energia a pressionarem o principal índice bolsista para o vermelho. Só a Altri e a Galp contrariam a maré vermelha, entre as cotadas. Ao final da manhã de hoje, pelas 12h15, o PSI-20 caía 1,86%.

A banca é o sector que mais afunda. A explicação está nas taxas de juro associadas à dívida pública, que voltam a subir esta manhã no mercado secundário. Após a declaração de apoio do PCP a um Governo PS, feita na noite deste domingo, os investidores estão expectantes quanto ao futuro político do país. Os três partidos da esquerda - PS, Bloco de Esquerda e PCP - vão apresentar moções de rejeição do programa do Governo, que Passos Coelho apresenta a partir de hoje na Assembleia da República.

Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal, considera que "o mercado não vê com bons olhos este acordo à esquerda, particularmente depois do aval do PCP, dado ontem à noite". ,O facto de, até então, o PCP ainda não ter admitido o seu apoio "era o último reduto dos investidores, já que havia muita gente que não acreditava que este acordo fosse possível". O PCP é visto como "mais intransigente" do que o Bloco de Esquerda, nomeadamente no que diz respeito às medidas do Tratado Orçamental. Recentemente, em entrevista à SIC , o secretário-geral dos comunistas, Jerónimo de Sousa, admitiu que "nunca respeitará" o tratado e defendeu que as metas do défice fossem revistas.

Também para Steven Santos, gestor do BiG, "o acordo histórico alcançado durante o fim de semana entre o PS e o PCP gera preocupações políticas, que se refletem no alargamento dos spreads da dívida pública e, por conseguinte, nas ações da banca nacional e das utilities. Uma provável viragem à esquerda do Governo em termos de política económica e social afastam investidores internacionais, que construíram posições num contexto de estabilidade política, em que foram implementadas reformas estruturais e medidas de austeridade".

Albino Oliveira, analista da Patris Investimentos, considera que o tema político será, "provavelmente, o tema da semana, tanto para investidores nacionais como internacionais". Todavia aponta para o facto de, também na Europa, as bolsas estarem negativas, o que torna "tal leitura dos acontecimentos na Bolsa portuguesa menos direta".

Mas a leitura pode ser bem mais direta quando olhamos para o que está a acontecer esta manhã no mercado obrigacionista, com as yields relativas às Obrigações do Tesouro português a 10 anos a subirem oito pontos base. "Desde o início de outubro, ou seja, desde as eleições em Portugal, que o diferencial para com a Alemanha aumentou cerca de 80 pontos base. As yields da Alemanha não têm sofrido flutuações, como acontece, por exemplo, com Itália. Mas se olharmos para o cenário relativo a Portugal e a Espanha, que terá eleições a 20 de dezembro, percebemos que é a situação política que se está a refletir nestes comportamentos", explica o analista.

Quanto aos sectores mais pressionados, Albino Oliveira aponta para a banca, o que terá "certamente a ver com a contribuição extraordinária sobre o sector. Havendo um Governo socialista, há uma grande dúvida sobre o que acontecerá com este imposto". O atual executivo PSD/CDS já havia anunciado na semana passada, que a contribuição se manteria inalterada.

O sector da energia também está a negociar em baixa. "Pelo menos motivo, a contribuição extraordinária, que o atual executivo tinha anunciado rever em baixa. E, por um segundo motivo: o défice tarifário. A dúvida é se um eventual Governo PS fará alguma alteração", explica.

Às 12h15, o BCP estava a cair 5,88%, para 4,96 cêntimos, enquanto o Banif está a afundar 7,14%, negociando nos 0,26 cêntimos. O BPI cai 2,76%, valendo cada ação 1,09 euros. A EDP recua 3,2%, para 3,298 euros, enquanto a EDP Renováveis cai 3,5%, para 6,369 euros.

[Notícia atualizada às 12h20 horas, com a atualização dos dados da Bolsa]