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Sonae desmantelou rede de cibercrime

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Controlada a 61% pela Sonaecom, a S21sec tem sede em Espanha e escritórios em Portugal, México e Reino Unido

A S21sec, do grupo Sonae, ajudou a pôr termo a rede do vírus trojan Dridex e quer liderar na cibersegurança

Pelo radar da S21sec passam diariamente 40 mil vírus trojan, um exército de softwares maliciosos que a plataforma tecnológica da empresa avalia para ajudar a manter clientes do sector financeiro e de outras áreas de atividade protegidos do mundo do cibercrime. Foi assim que o Dridex captou as atenções da sua equipa durante mais de um ano, até ao desmantelamento da organização criminosa há algumas semanas, num trabalho de colaboração com entidades como o FBI, Europol e NCA — Agência de Crime Nacional do Reino Unido ou a Guarda Civil Espanhola, e mais alguma empresas de segurança informática.

“Era um sistema malicioso diferente que começámos a seguir em 2011 e que acabou por evoluir para aquilo que passámos a designar como Dridex. Despertou a nossa atenção pela suas características: complexo e potente, tinha um efeito massivo e além de conseguir roubar dinheiro facilmente, designadamente a bancos, descarregava muita informação dos utilizadores ainda não se sabe muito bem para que efeito”, explica ao Expresso Xavier Michelena, presidente da S21sec.

Controlada a 61% pela Sonaecom desde 2014, esta empresa, com sede em Espanha, assume ter sido a primeira a ouvir as campainhas de alarme soarem para a ameaça do Dridex, que antes de ser desmantelado terá provocado perdas de mais de €50 milhões e infetado 344.500 computadores em 155 países, em especial no Reino Unido, Estados Unidos, França e Espanha. Este vírus apanhou credenciais de bancos portugueses, via Reino Unido, mas não desenvolveu qualquer ataque dirigido à banca em Portugal.

“O impacto final é difícil de avaliar, mas só nos EUA foram desviados mais de 10 milhões de dólares (€9 milhões), de acordo com estimativas do FBI”, refere Xavier Michelena, já a trabalhar com a sua equipa na análise de mais quatro trojan novos, “com características distintivas, que despertaram a atenção no conjunto dos milhares de softwares maliciosos que se geram diariamente no mundo”.

Liderada por um cidadão moldavo, detido no Chipre, acusado de conspiração criminosa, a organização era composta maioritariamente por norte-americanos e, além da banca, atacou outros sectores, roubando dados a organizações governamentais, redes hospitalares, advogados, entidades de gestão de direitos de autor e empresas de aeronáutica.

Com a ambição de juntar à liderança ibérica na indústria da cibersegurança a Europa e América Latina, a S21sec tem 230 colaboradores distribuídos entre Espanha, México, Reino Unido e Portugal, está a abrir portas nos EUA e na região da Ásia-Pacífico, soma projetos ativos em 26 países e prevê aumentar a sua faturação de €16 milhões para €25 milhões em três anos. Em Portugal aumentou o número de colaboradores para 11, no espaço de um ano, e prevê fechar 2016 com 25 pessoas, mas Xavier Michelena salienta que “um dos grandes desafios da Europa é gerar talentos para trabalhar na cibersegurança”.

Outro desafio “é inovar em contínuo para acompanhar quem está do outro lado, no mundo do cibercrime”. Por isso, esta empresa que tem entre os seus clientes grandes bancos, empresas do sector da energia, alguns ministérios, empresas do sector do retalho e 26 das 35 entidades cotadas no índice IBEX 35, a principal referência da bolsa espanhola, investe, em média, 20% dos seus recursos anuais em Investigação e Desenvolvimento. O objetivo, diz Xavier Michelena, “é ser cada vez mais eficiente e global e trabalhar de forma preventiva”.

UM NEGÓCIO SEGURO

16

milhões de euros foi o volume de negócios da empresa em 2014. Com projetos em 26 países, o objetivo é atingir os €25 milhões em três anos

1

milhão de pessoas é o défice de especialistas em cibersegurança na Europa. No mundo, o número sobe para 6 milhões, diz o presidente da S21sec