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Minho quer “transformar” leite em vinho

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2015 promete ser mais um ano recorde para os vinhos verdes

rui duarte silva

O vinho verde precisa de mais área de vinha para responder ao mercado. Produtores de leite estão atentos

Moreira da Silva, agricultor de Vila do Conde, abandonou a produção de leite há oito anos para se dedicar ao milho que vende como forragem a outros produtores de leite, mas, agora, está a pensar reconverter 29 hectares de terra em vinha, para fazer vinho verde. “A queda dos preços na produção compromete a rentabilidade das explorações e obriga-nos a pensar em alternativas”, justifica este agricultor que está, com alguns colegas, a aproximar-se do universo dos viticultores da Região dos Vinhos Verdes.

Entre visitas a produtores de vinhos e contactos com a CVRVV — Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, alguns produtores de leite, que sempre cultivaram a terra com milho e forragens, até já aderiram a associações de produtores de vinho enquanto analisam o mercado e os apoios à reconversão.

Do lado da CVRVV, este movimento é bem recebido. Com as exportações a crescerem desde 2000, à espera de mais um recorde de vendas em 2015, sem stocks para escoar, o objetivo é aumentar a área de vinha numa região que soma 22 mil viticultores e reconverteu 800 hectares em cinco anos.

“As coisas correm bem do lado comercial e estamos a incentivar a produção. Um dos cenários possíveis é a reconversão de campos de milho de produtores de leite que têm visto o seu rendimento descer. São terrenos bem nutridos que podem ser bons produtores de uva”, diz Manuel Pinheiro, presidente da CVRVV.

É um movimento que abrange produtores de leite de Vila do Conde a Barcelos, onde a área média de exploração ronda um hectare. “Se cada um dos novos viticultores fizer quatro ou cinco hectares de vinha será ótimo”, sustenta Manuel Pinheiro, apostado em manter a trajetória de crescimento dos vinhos verdes, em especial no exterior, onde a região está a investir três milhões de euros por ano na promoção em mercados alvo, dos EUA à Alemanha, Reino Unido, Canadá, Brasil e Japão.

Com uma quota de 10% no mercado nacional, o vinho verde exportava 10% da sua produção em 2000, mas em 2014 teve 40% das vendas no exterior, o que equivale a exportações de €49,7 milhões, distribuídas por 111 mercados, a um preço médio por litro de €2,23.

A subida de 12% nas exportações em 2014 refletiu-se na Alemanha e EUA, os maiores mercados em volume e valor, respetivamente, e é para continuar. Em dois anos, mais de 50% das vendas estarão no exterior.

A validar a estratégia, as exportações cresceram 18% nos mercados alvo selecionados para a promoção dos vinhos verdes, enquanto os outros destinos cresceram 6%. Em 2015, a subida está a premiar a oferta de maior valor: “Até agosto, as vendas aumentaram 2% nos vinhos brancos, 10% nos tintos e rosados, 9% no Alvarinho e 25% no Loureiro”, refere Manuel Pinheiro.

Ao mesmo tempo, contas feitas por produtores do sector, como a Aveleda, indicam que as novas regras relativas à menção da casta Alvarinho podem potenciar as exportações em €30 milhões nos próximos quatro anos. A mudança, envolvida em alguma polémica, em especial entre produtores de Monção e Melgaço, os únicos que até agora podiam referir a casta Alvarinho no rótulo de vinhos com Denominação de Origem, traz um conjunto de novas regras a introduzir gradualmente na região, mas permite já desde a vindima de 2015 a produção de vinhos de lote com referência às castas Alvarinho — Loureiro e Alvarinho — Trajadura e aumenta a quantidade mínima de Alvarinho permitida nesses lotes de 1% para 30%.

RADIOGRAFIA

10%

é a quota dos vinhos verdes no mercado nacional, atrás do Alentejo (26%)

40%

é o peso das exportações (€49,7 milhões) nas vendas de vinho verde

22

Mil são os viticultores da região. Há 600 engarrafadores

3

milhões de euros é o investimento anual na promoção dos vinhos verdes