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Bolsas. Ásia a duas velocidades. Europa abre no vermelho na maioria das bolsas

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Xangai e Tóquio voltaram a puxar pelos mercados financeiros no Oriente. Fecham a semana com ganhos em contraste com o resto da Ásia. Paris e Zurique lideram quedas entre as principais praças. Londres abriu acima da linha de água. PSI 20 abre positivo

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas da China e do Japão puxaram pelos mercados financeiros da Ásia. A região fechou esta sexta-feira “mista”, mas com os índices das bolsas de Xangai, Shenzhen e Tóquio a fecharem com ganhos, em contraste com perdas registadas em Sidney, Taipé, Seul e Hong Kong, com o índice a bolsa de Taiwan a liderar as quedas.

A Ásia esteve a duas velocidades na primeira semana de novembro. China e Japão arrecadaram ganhos durante a semana e os restantes registaram perdas sofrendo na primeira linha o impacto da confirmação de um abrandamento da China para os próximos cinco anos (segundo o novo plano quinquenal definido pelo Partido Comunista) e da “possibilidade real” (na expressão usada, esta semana, pela presidente Janet Yellen) de uma subida das taxas de juro da Reserva Federal norte-americana (Fed) já na próxima reunião de 16 de dezembro.

Oportunidades na China

Na China, o índice composto de Xangai fechou esta sexta-feira com ganhos de 1,91%, o índice CSI 300 (das 300 principais cotadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen) avançou 2,36%, e o índice A50 subiu 2%. Em termos semanais, o CSI 300 ganhou 8,4%, o A50 subiu 7,9% e o composto de Xangai avançou 6,1%.

Os investidores chineses, segundo os analistas, estão animados com várias oportunidades que abre o novo plano quinquenal, nomeadamente objetivos para uma "revolução na energia" (mais "verde"), "empreendedorismo em massa" suportado na inovação, menos intervenção do Estado na fixação de preços, modernização dos serviços e agricultura, e apoio ao investimento direto chinês no estrangeiro. Outra boa notícia foi dada esta sexta-feira em Pequim pelo porta-voz Deng Ge do regulador dos mercados financeiros: a suspensão decretada em julho de realização de entradas em bolsa (IPO) foi levantada, estando já agendado para 20 de novembro o reinício de 10 colocações em bolsa das 28 que, então, ficaram suspensas.

Correios em bolsa e promessa de descida do IRC no Japão

Em Tóquio, o índice Nikkei 225 fechou a ganhar 0,78% e o TOPIX subiu 0,55%. Em termos semanais, o primeiro avançou 0,98% e o segundo ganhou 0,38%, com um dia feriado durante a semana.

Na quarta-feira a operação de entrada em bolsa do grupo público dos Correios nipónicos - a maior operação do género (IPO) até à data este ano à escala internacional, envolvendo o Japan Post Holdings e as duas subsidiárias Japan Post Bank e Japan Post Insurance - animou a bolsa. A desvalorização do iene face ao dólar norte-americano, em virtude da especulação sobre a decisão da Fed, está a animar o sector exportador nipónico. Nos últimos trinta dias, a desvalorização foi de 1,26%.

Por seu lado, o primeiro ministro Shinzo Abe garantiu esta sexta-feira que o governo quer reduzir ainda mais o IRC efetivo no próximo ano fiscal que se inicia em abril de 2016. O objetivo é colocar o IRC num intervalo entre 20% e 30% nos próximos anos.

Apesar de Xangai e Tóquio terem puxado pelos mercados financeiros asiáticos, o índice global da região, o MSCI Ásia Pacífico, fechou sexta-feira a perder 0,81%, depois de três sessões consecutivas a ganhar. Em termos semanais, o índice recuou 0,55%.

Europa à espera de relatório americano

A Europa abriu esta sexta-feira no vermelho na maioria das principais bolsas, com exceção de Londres, onde o índice FTSE 100 estava acima da linha de água pelas 8h15. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, abriu em terreno positivo. Paris e Zurique lideravam as quedas. O índice MSCI para a região fechou na quinta-feira em terreno negativo pelo terceiro dia consecutivo.

A última sessão da semana nas bolsas mundiais no Ocidente será marcada pela divulgação pelas 13h30 (hora de Portugal) do Relatório do Bureau of Labor Statistics dos Estados Unidos sobre a evolução do emprego não-agrícola em outubro. A variação de emprego nos EUA tem registado uma tendência ascendente. Caso se mantenha, e vá ao encontro das expetativas dos analistas, é de prever que aumentará, ainda mais, a probabilidade de uma primeira subida da taxa de juros da Fed já em dezembro.