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Riscos continuam a pairar sobre a zona euro

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A Comissão Europeia subiu o crescimento da zona euro para 1,6% em 2015, mas cortou a previsão para 2016 para 1,8%. Inflação vai fechar em 0,1% este ano, mas deverá saltar para 1% no ano seguinte, menos do que a previsão apresentada em maio. Crescimento alimentado por procura doméstica. Procura externa vai ser mais fraca do que o esperado, diz, por seu lado, o Boletim Económico do BCE

Jorge Nascimento Rodrigues

A retoma económica na zona euro continua pelo terceiro ano consecutivo, mas o ritmo anual é modesto, com a Comissão Europeia (CE) , nas suas Previsões do Outono publicadas esta quinta-feira, a corrigir em alta a estimativa de crescimento para 2015 que sobe de 1,5% para 1,6% e a cortar em uma décima a previsão para 2016, que desce de 1,9% para 1,8%. A inflação anual na zona euro deverá descer de 0,4% em 2014 para 0,1% em 2015, mas salta para 1% e 1,6% nos dois anos seguintes, mesmo assim ficando abaixo da meta do Banco Central Europeu (BCE). A previsão de inflação para 2016 foi corrigida em baixa de 1,5%, a taxa apontada nas Previsões da Primavera, em maio. Em suma, as previsões da CE para crescimento e inflação em 2016 foram cortadas sete meses depois.

Simultaneamente, o BCE publicou o seu Boletim Económico, onde refere que o crescimento do PIB real na zona euro desceu este ano de 0,5% no primeiro trimestre para 0,4% no segundo trimestre, e prevê que se mantenha nessa taxa no terceiro trimestre. “Os indicadores mais recentes apontam para um ritmo de crescimento similar [ao do segundo trimestre] no terceiro trimestre”, diz o Boletim. Quanto à inflação anual, ela deverá “permanecer muito baixa no curto prazo, mas deverá subir no virar do ano”, com o Boletim a citar os resultados das opiniões dos especialistas em previsões a apontarem para 0,1% em 2015, 1% em 2016 e 1,5% em 2017.

Os dois documentos, divulgados esta quinta-feira, coincidem na análise dos fatores que estão a influenciar a evolução do crescimento e da inflação na zona euro. A retoma está a ser alimentada por “fatores domésticos”, em particular pelo consumo privado, diz o BCE. O investimento continua 15% abaixo do nível pré-crise. Os constrangimentos têm-se prendido com a procura externa, com o Boletim do banco central a prognosticar que continuará “mais fraca do que o esperado”. Os dados para julho e agosto apontam para um abrandamento da exportação no terceiro trimestre de 2015. A subida da inflação anual em 2016 e 2017 estará dependente da evolução do preço das matérias-primas, acautela o BCE.

Os riscos (negativos, na designação da Comissão e do BCE) continuam a situar-se nos impactos do que se passará nas economias emergentes e na China e da incerteza sobre os desenvolvimentos dos mercados financeiros (onde é cada vez mais alta a probabilidade de um início de subida das taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana ainda este ano). O BCE sublinha a “constelação de choques” que está a afetar o conjunto das economias emergentes, e em particular os exportadores líquidos de matérias-primas, e refere o abrandamento do crescimento na China, que representa 6% das exportações da zona euro para o seu exterior (9% nos casos da Alemanha e da Finlândia). O peso da exportação para a China nas exportações para fora da zona euro por parte de Portugal é de cerca de 4,5%, a mais elevada entre os periféricos do euro (Itália cerca de 4%, Espanha ligeiramente abaixo de 4%, Irlanda ligeiramente abaixo de 2% e Grécia apenas 1%).

Resumindo o ponto de vista do BCE, Mario Draghi, o seu presidente, repetiu esta quinta-feira em Milão, na abertura do ano académico da Universidade Católica, que “estamos confrontados com uma situação em que a dinâmica de preços é fraca e o enquadramento macroeconómico é ainda incerto”.