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Juros da dívida de Itália, Portugal e Espanha em alta. Carrossel nas bolsas dos dois lados do Atlântico

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Juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos sobem para 2,62%. Bolsas europeias fecham mistas e Wall Street encerra no vermelho. Espanha colocou dívida pagando menos juros. Banco de Inglaterra apodera-se de frase de Draghi

Jorge Nascimento Rodrigues

A sessão desta quinta-feira foi marcada pela subida das yields no mercado secundário da dívida soberana dos periféricos da zona euro, com exceção da Grécia.

As yields das Obrigações do Tesouro português, no prazo de referência a 10 anos, subiram para 2,62%, um aumento de oito pontos base em relação ao fecho do dia anterior, e o prémio de risco da dívida de longo prazo portuguesa voltou a ficar acima de 200 pontos base (equivalente a um diferencial de 2 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã). A maior subida de yields verificou-se com as obrigações italianas naquele prazo de referência, com uma subida de 13 pontos base, fechando em 1,7%.

Apesar das subidas das yields no mercado secundário, o Tesouro espanhol colocou esta quinta-feira mais de 3,4 mil milhões de euros em obrigações a 10 e 30 anos, pagando taxas de remuneração inferiores às registadas em operações similares anteriores, e 817 milhões de euros em títulos a 5 anos indexados à inflação pagando uma taxa negativa de -0,251%, menos gravosa para os investidores do que a registada em operação anterior, quando pagou -0,286%.

Bolsas mundiais fecham no vermelho

No mercado bolsista, as bolsas mundiais fecharam em terreno negativo pelo segundo dia consecutivo. O índice MSCI para todos os países recuou esta quinta-feira, registando -0,21%. Escapou a Ásia Pacífico. O índice MSCI para esta região ganhou 0,02%, fechando em terreno positivo pelo terceiro dia consecutivo, graças a Xangai e Tóquio.

A Europa fechou “mista” com subidas nas praças de Frankfurt, Paris e Zurique, e perdas em Amesterdão, Londres, Milão e Madrid. Nestes últimos casos, os índices evoluíram em carrossel, com descidas, seguidas de subidas, e novamente de descidas. No conjunto, o índice MSCI para a região (que abrange 15 países) perdeu 0,43%, um fecho no vermelho pelo terceiro dia consecutivo. A maior queda na região registou-se na Bolsa de Atenas, com o índice geral a perder mais de 3%. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, fechou a recuar 1,43%.

Nos Estados Unidos, os índices de Wall Street e do Nasdaq fecharam no vermelho, ainda que com perdas ligeiras, e o índice MSCI para o país encerrou com perdas de 0,14%, pelo segundo dia consecutivo. A probabilidade real da Reserva Federal norte-americana (Fed) iniciar um processo de subida das taxas de juro na próxima reunião de 16 de dezembro tem vindo a ganhar terreno. No observatório da CME para os futuros das taxas de juro da Fed, a probabilidade do arranque da subida dos juros é de 58% para a reunião de dezembro próximo e de 65% para a de janeiro do próximo ano. Janet Yellen, a presidente da Fed, disse na quarta-feira, que era uma "possibilidade real".

O Banco de Inglaterra (BoE) decidiu esta quinta-feira não mexer no seu quadro de política monetária e divulgou o seu relatório quadrimestral sobre inflação, tendo salientado que esta se manterá abaixo de 1% até ao segundo semestre de 2016 e que só chegará a 2,1% (ligeiramente acima da meta do banco central) no primeiro trimestre de 2017. Apontou riscos negativos, similares aos que a Comissão Europeia, nas suas Previsões de Outono, e o Banco Central Europeu, no seu Boletim Económico, referem, dois documentos publicados esta quinta-feira. Se os riscos negativos se materializarem e a inflação baixa se cristalizar, Mark Carney, o governador do BoE, usou hoje uma variante da célebre frase de Mario Draghi do verão de 2012, dizendo que o banco central britânico adotará “qualquer ação que seja necessária”.

  • A Comissão Europeia subiu o crescimento da zona euro para 1,6% em 2015, mas cortou a previsão para 2016 para 1,8%. Inflação vai fechar em 0,1% este ano, mas deverá saltar para 1% no ano seguinte, menos do que a previsão apresentada em maio. Crescimento alimentado por procura doméstica. Procura externa vai ser mais fraca do que o esperado, diz, por seu lado, o Boletim Económico do BCE