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Fed arrefece bolsas da Europa e anula descida dos juros da dívida na zona euro

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As declarações de Mario Draghi, presidente do BCE, na terça-feira tinham animado os mercados financeiros na Europa. Esta quarta-feira, uma frase de Janet Yellen, presidente da Reserva Federal, perante o Congresso norte-americano deu um balde de água fria. Só os juros das obrigações portuguesas e gregas mantiveram descida

Jorge Nascimento Rodrigues

Tudo corria bem na Europa durante a manhã desta quarta-feira. As yields da dívida soberana dos membros do euro continuavam a descer (com exceção da Grécia) no mercado secundário em virtude do efeito das palavras de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europei (BCE), na terça-feira em Frankfurt, mantendo de pé a perspetiva de mexer na política monetária na próxima reunião a 3 de dezembro, ampliando os estímulos. A maioria das principais bolsas da União Europeia registavam ganhos, com exceção de Frankfurt, em virtude do impacto do segundo escândalo Volskwagen, e Bruxelas.

Mas à tarde tudo mudou. As bolsas de Milão e Frankfurt fecharam no vermelho e o índice Eurostoxx 50 – das 50 principais cotadas na zona euro – fechou a perder 0,10%. O índice Dax alemão agravou a queda, fechando a cair 0,97%. As bolsas de Madrid e Amesterdão reduziram substancialmente as subidas matinais e fecharam com ganhos fracos: o índice Ibex 35 ganhou 0,08%, escapando cair no vermelho, quando pelas 10h30 (hora de Portugal) subia 1,04%, e o índice AEX holandês avançou apenas 0,43%, quando àquela hora de manhã registava ganhos de 1,15%. O índice MSCI para a região, que abrange 442 cotadas em 15 bolsas europeias, recuou 0,3% esta quarta-feira, um fecho no vermelho pelo segundo dia consecutivo.

No mercado secundário da dívida soberana, a trajetória de descida inverteu-se em vários casos. Nos periféricos, no prazo de referência, a 10 anos, as yields das obrigações espanholas e italianas fecharam a subir e no países do “centro” subiram em todos os casos. No caso irlandês, mantiveram-se sem alteração em relação ao dia anterior.

Escaparam as Obrigações do Tesouro português (OT) e as obrigações gregas, que conseguiram manter uma trajetória de descida em relação ao dia anterior. No caso das OT a 10 anos, as yields abriram a cair para 2,48% e fecharam em 2,54%, quatro pontos base abaixo do fecho na terça-feira. Segundo um alto funcionário da zona euro, o governo grego e os credores oficiais europeus deverão chegar a um acordo na reunião do Eurogrupo prevista para dia 9 de novembro (próxima segunda-feira) no sentido do desembolso da sub-tranche de 2 mil milhões no âmbito do primeiro pacote financeiro do terceiro resgate.

Em virtude da subida das yields das obrigações alemãs para 0,6%, o prémio de risco da dívida portuguesa (que se estabelece a partir do diferencial entre o custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência, e o de financiamento da dívida portuguesa, no prazo a 10 anos) desceu abaixo de 200 pontos base, um nível em que se mantinha nas três últimas sessões. Fechou esta quarta-feira em 194 pontos base (o equivalente a um diferencial de 1,94 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã).

Possibilidade real, diz Yellen

O que fez mudar as trajetórias foi uma frase. Uma frase de Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed), na sua comparência perante a Comissão de Serviços Finaceiros do Congresso norte-americano durante a manhã desta quarta-feira nos Estados Unidos (meio da tarde na Europa). Afirmou que era “uma possibilidade real” o início do processo de subida das taxas de juro pela Fed na sua próxima reunião em dezembro.

A frase foi ampliada pelos media financeiros imediatamente. O suficiente para anular o “efeito Draghi” vindo do dia anterior e o bom andamento na Ásia e ampliar o impacto do segundo escândalo da VW.

A probabilidade da decisão de subida dos juros ser concretizada na reunião de dezembro subiu esta quarta-feira para 60%, e apontava para uma subida de 50 pontos base (meio ponto percentual em relação ao atual intervalo entre 0% e 0,25%), segundo o observatório da CME para os futuros das taxas de juro da Fed. No dia anterior, a probabilidade estava em 52% e no início da semana estava em 47%.

Pelas 20h (hora de Portugal), as bolsas de Wall Street e Times Square (Nasdaq) negociavam no vermelho, interrompendo os ganhos nas duas sessões anteriores.

Juros negativos na zona euro em 9 países

Desde a reunião de outubro do BCE, em que Draghi anunciou que uma reavaliação da política monetária iria ser feita, que se alargou o leque de países da zona euro e de prazos que registam yields negativas na dívida obrigacionista.

No fecho desta quarta-feira, Alemanha, Áustria, Bélgica, Finlândia, França e Holanda registavam yields negativas; no caso da Alemanha Áustria e Holanda até ao prazo de 5 anos inclusive. A este núcleo do "centro" juntam-se, desde final de outubro, entre os periféricos, a Irlanda com yields negativas nos prazos de 1 a 3 anos, e Espanha e Itália com yields negativas no prazo a 1 ano.