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Draghi dá gás à descida dos juros da dívida

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Aviso do presidente do BCE de que uma inflação baixa por muito tempo é um risco que tem de ser contrariado provocou o regresso a uma trajetória de descida dos juros das obrigações dos periféricos do euro. Juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos abriram a descer para 2,48%

As yields das obrigações dos periféricos do euro continuam em trajetória de descida. Na abertura desta quarta-feira, as yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, abriram a cair para 2,48%. Pelas 10h registavam 2,51%, sete pontos base (equivalente a 0,7 pontos percentuais) abaixo do fecho de terça-feira e distanciando-se de 2,62% no fecho de segunda-feira, um máximo desde final de setembro. A trajetória de descida abrange na abertura desta quarta-feira todos os periféricos, com Portugal a liderar as descidas.

O que provocou esta descida, iniciada na terça-feira, foi o regresso de um sentimento otimista nos investidores e analistas que interpretaram positivamente a intervenção de Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), na abertura dos “Dias Culturais do BCE”, este ano dedicados a Malta. “Positivamente” significa que os protagonistas do mercado da dívida soberana esperam que o BCE reavalie na próxima reunião de 3 de dezembro o quadro da política de estímulos monetários em curso, conforme anunciou na reunião de 22 de outubro, e a amplie.

Esta quarta-feira, a publicação dos índices compostos PMI (Purchase Managers’ Index, índice da opinião dos gestores de compras) de outubro para a Alemanha e Zona Euro ficaram abaixo das previsões iniciais. Subiu de 54,1 em setembro para 54,2 em outubro no caso da Alemanha, mas ficou abaixo da previsão inicial de 54,5. No caso da Zona Euro subiu de 53,6 para 53,9, mas ficou abaixo da previsão inicial de 54. Continuam acima da linha de contração da atividade económica (50 pontos), e melhoraram ligeiramente em relação ao mês anterior. O índice composto PMI para a França subiu de 51,9 para 52,6 em França entre setembro e outubro, tendo melhorado e ficado acima da previsão inicial.

Draghi responde aos críticos alemães

Draghi falou em Frankfurt na terça-feira respondendo às críticas de que a atual política de estímulos do BCE prejudica os aforradores e não tem um impacto substantivo na economia real dos membros do euro, explicitando o caso da Alemanha. O presidente do BCE avisou que há um risco com uma inflação baixa persistente: “[A situação de baixa inflação] não é problemática se for por um mês ou dois, mas torna-se preocupante se houver um risco de uma inflação demasiado baixa por muito tempo”. Disse ainda: “A inflação não deve ser nem demasiado alta nem demasiado baixa. Esse é um legado do nosso colega Otmar Issing que analisou os riscos de uma inflação demasiado baixa numa altura em que muita gente só tinha em mente o risco de uma inflação demasiada alta. Na realidade, a história mostra que a deflação pode ser tão prejudicial para a prosperidade e a estabilidade das nossas economias como uma inflação elevada”.

Respondeu aos críticos alemães referindo que o impacto da atual situação nos portefólios financeiros tem de ser avaliado em termos reais e não nominais e que o problema nas economias reais é que a solução dos seus problemas não pode depender apenas da política monetária. O BCE não se substitui aos governos no plano das reformas estruturais, recordou.

A intervenção do presidente do BCE provocou uma reviravolta no mercado secundário da dívida. Novembro abriu com as yields da dívida obrigacionista dos periféricos da zona euro em alta, em particular no caso das obrigações espanholas, gregas, portuguesas e italianas, depois dos investidores terem interpretado negativamente as declarações de Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, no sábado ao jornal italiano “Il Sole 24 Ore”. Draghi deu uma resposta ambígua, referindo que mais estímulos é “uma questão em aberto”, o que foi interpretando pelos analistas como uma posição “neutral”.

O suficiente para “arrefecer” o sentimento dos investidores. A situação continua, por isso, muito volátil, ao sabor de interpretações de declarações do presidente do BCE.