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Venda de carros elétricos dispara 173%

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Justin Sullivan/Getty Images

Ainda são poucos, mas têm aumentado. Elevado preço e fraca autonomia limitam o crescimento do mercado

Apesar dos sucessivos apelos à mobilidade elétrica, tanto pelos governos de Sócrates como pelo executivo de Passos Coelho, a venda de carros para ligar à tomada elétrica continua a não ter praticamente expressão em Portugal. Mesmo assim, o aumento percentual das vendas, entre 2014 e 2015, registou uma expressiva variação de 173%.

Basta dizer que, no ano passado, os elétricos representaram apenas 0,08% do total de carros vendidos. Ou seja, foram apenas 135 veículos elétricos em 172.357 viaturas vendidas no mercado total (incluindo pesados). No entanto, nos primeiros nove meses deste ano foram já vendidos 369 automóveis elétricos, que representa o referido crescimento de 173% face ao total de vendas registado em 2014.

Os dados, fornecidos ao Expresso pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), revelam ainda que, no segmento dos híbridos convencionais, as vendas estão consideravelmente acima dos valores registados nos elétricos. De janeiro a setembro deste ano foram comercializados 2319 carros, contra 1301 em todo o ano passado – um aumento de 78%. Dentro deste segmento, a preferência pelos híbridos deve-se à polivalência de utilização, que tanto pode ser em modo elétrico dentro de uma cidade ou vila, como pode ser em propulsão convencional numa viagem em estrada. Ou seja, ao contrário da limitação de autonomia dos elétricos puros, os híbridos permitem uma utilização idêntica à dos automóveis com motores a gasolina ou gasóleo.

Em suma, pode concluir-se que os portugueses estão a aderir cada vez mais aos carros elétricos e híbridos, mas a um ritmo muito mais lento que a maioria dos países europeus, sendo que há casos extremos como a Noruega, a Dinamarca e a Suécia onde já se vendem mais elétricos que veículos com motor a combustão.

Na base da fraca adesão dos portugueses estão os dois fatores clássicos: a pouca autonomia dos vários modelos disponíveis no mercado (são já dez as marcas automóveis a vender elétricos em Portugal) e, por outro lado, os elevados preços praticados, com valores médios na casa dos €35 mil a €40 mil. A favor da opção pelos elétricos está o facto de os custos por cada 100 quilómetros percorridos ser quatro a cinco vezes mais baixos que nos carros a combustão.
Por outro lado, a rede de postos de carregamento disponíveis na via pública em vários pontos do país continua a ser acessível de forma gratuita. Note-se que, aquando da criação desta rede de carregamento, em 2010, o que se previa era que somente nos três anos seguintes os utentes de carros elétricos pudessem ali repor os níveis das suas baterias sem pagar absolutamente nada. Mas dada a fraca adesão foi decidido prolongar esse regime por mais tempo, sem limite à vista. Um dos problemas desta rede pública de carregamentos tem a ver com o facto de alguns equipamentos estarem estragados.

Evolução contínua

Nas marcas premium, como a Tesla, a evolução tem sido contínua, tanto ao nível dos veículos (cuja potência tem aumentado), como da rede europeia de postos de abastecimento (com carregamentos gratuitos). Teoricamente, é possível viajar nos países do norte da Europa (onde há uma grande rede de postos de abastecimento da Tesla) com energia gratuita carregada nos postos desta marca. Quem tem disponibilidade para pagar cerca de €100 mil por um modelo Tesla, sabe que a sua autonomia permite uma circulação quase sem restrições, sendo possível utilizar estes veículos em circulação urbana ou em viagens (asseguram facilmente viagens entre Lisboa e o Porto, ou de Lisboa ao Algarve).

Entre a oferta de elétricos de um segmento “mais acessível”, ainda há a diferença entre os automóveis tradicionais que foram adaptados a motorizações elétricas (como é o caso dos modelos das marcas Renault, Peugeot ou Citroën) e os veículos construídos de raiz como elétricos. Neste último caso encontra-se o BMW i3, na versão de puro elétrico ou com extensões de autonomia (vem equipado com um pequeno gerador elétrico a combustão que fornece energia elétrica quando a carga da bateria é insuficiente para circular 100%). O i3 tem um peso inferior (a construção em materiais compósitos e fibras de carbono torna-o mais leve) e um centro de gravidade muito baixo (obtido pela colocação das baterias em zonas específicas). Entre os fabricantes chineses de baterias, têm vindo a ser testadas soluções que aumentam a autonomia de circulação, embora o elevado aquecimento dessas baterias seja sempre o lado menos agradável da mobilidade elétrica.