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Mercados financeiros à espera de dezembro

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As bolsas mundiais ganharam cerca de 8% em outubro, destacando-se a região da Ásia Pacífico com uma subida de 8,59% e os Estados Unidos com um ganho de 8,12%. Europa e Economias Emergentes ficaram-se por 7%. Decisões do BCE e da Fed em dezembro vão marcar o final do ano e o arranque do próximo. A divulgação de dados sobre inflação em novembro pode ser importante

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas em outubro ganharam cerca de 8%, segundo o índice MSCI mundial. Acima dessa média ficaram a região da Ásia Pacífico, registando 8,59%, e os Estados Unidos, com um ganho de 8,12%, segundo os índices MSCI. Abaixo da média, a Europa com um ganho de 7,06% e as Economias Emergentes com uma subida de 7,04%. O pior desempenho, de grupo, registou-se com os Mercados de Fronteira, com um ganho de 3,61%. Estes últimos abarcam economias não consideradas emergentes, mas interessantes, como, por exemplo, os Bálticos e a Eslovénia, na zona euro, Argentina, Marrocos, Nigéria, Paquistão, Ucrânia e Vietname.

O final do mês foi fraco nas bolsas para a maioria das regiões do mundo e negativo nos Estados Unidos, com Wall Street a fechar em terreno negativo a 30 de outubro. A Europa salvou-se, na sexta-feira, de fechar com perdas, porque as bolsas de Frankfurt e Paris aguentaram. A última semana de outubro também não foi famosa com três sessões consecutivas em terreno negativo na Ásia Pacífico e nas Economias Emergentes e duas sessões consecutivas no vermelho nos Estados Unidos. A maior quebra semanal ocorreu no dia 29 de outubro, no dia seguinte ao comunicado da reunião da Reserva Federal norte-americana (Fed), no índice para as Economias Emergentes, com uma quebra de 1,65%.

Apesar desta última semana turbulenta, outubro foi um mês de ganhos nas bolsas à escala mundial. Mas, desde janeiro, o índice global MSCI está ainda em terreno negativo, com uma quebra acumulada nestes 10 meses de 0,23%. Entre 2012 e 2014 registou ganhos, particularmente mais de 13% em 2012 e mais de 24% em 2013. No ano seguinte, apenas registou um aumento de 2,93%. Vamos ver como correm os meses de novembro e dezembro.

Outubro foi um mês de reuniões importantes dos bancos centrais decisivos à escala mundial. O Banco Central Europeu (BCE), reunido a 21 e 22 de outubro, alimentou a expetativa de que poderá reforçar a 3 de dezembro os estímulos monetários, a Fed, reunida a 27 e 28, marcou 16 de dezembro como o mês em que poderá iniciar o processo de subida das taxas diretoras, e o Banco do Japão (BoJ), a 30 de outubro, ficou-se por uma atitude de “esperar para ver”. Noutro plano, o Banco Popular da China, o banco central da atual maior economia do mundo (segundo as estatísticas do Fundo Monetário Internacional), decidiu, a 23 de outubro, descer a taxa diretora de juros de 4,6% para 4,35%, em mais uma operação para estimular a economia chinesa que derrapou para menos de 7% de crescimento.

Reuniões cruciais em dezembro e dados de inflação em novembro

A marcação de 16 de dezembro como momento em que a equipa de Janet Yellen na Fed poderá decidir sair do atual intervalo de juros historicamente em mínimos entre 0% e 0,25%, que dura há sete anos, introduziu alguma volatilidade nos mercados financeiros. As probabilidades de que isso aconteça em dezembro subiram de 39% em 23 de outubro para 50% em 29 de outubro, no dia seguinte à comunicação da Fed, mas desceram para 47% no fecho de 30 de outubro, segundo o observatório da CME para os futuros dos juros da Fed.

O andamento da inflação é um indicador chave, sabendo-se que os principais bancos centrais das economias desenvolvidas fixaram 2% como meta de médio prazo das suas políticas monetárias. Cresce o número de economistas que acha que essa meta está desajustada e que as terapias monetárias seguidas desde 2008 parecem não estar a conseguir ter resultados satisfatórios face a um quadro recente de baixa inflação (ou "baixaflação", como lhe chamou o Fundo Monetário Internacional).

A zona euro, depois de ter recaído em terreno negativo em setembro (inflação anual de -0,1%), saiu dessa zona de risco em outubro, com uma estimativa preliminar de 0%, segundo o Eurostat divulgou na sexta-feira.

Os dados da inflação em outubro ainda não são conhecidos para EUA (serão divulgados a 17 de novembro), Japão (divulgação a 27 de novembro), Reino Unido (divulgação a 17 de novembro) e China (divulgação a 10 de novembro). Em setembro, os EUA e o Japão registaram uma inflação de 0%, o Reino Unido de -0,1% (similar à Zona Euro) e a China de 1,6% (a meta do banco central, neste caso, é de 4%). No caso de EUA, Japão e Reino Unido é crucial saber se se verificou em outubro um processo de subida da inflação ou não.

Para além das reuniões de 3 de dezembro do BCE e de 16 de dezembro da Fed, são importantes as reuniões do BoJ a 18 de novembro e 17 de dezembro e do Banco de Inglaterra a 5 de novembro e 10 de dezembro, pelos sinais que possam dar. Os analistas vão estar, também, atentos às declarações de Janet Yellen, a presidente da Fed, no Clube dos Economistas em Washington a 2 de dezembro e ao seu testemunho perante a Comissão de Economia do Congresso norte-americano no dia seguinte.

Riscos a seguir

No plano geopolítico, os riscos centram-se no Médio Oriente e nos mais recentes desenvolvimentos negativos no Mar do Sul da China – entre a China e os seus vizinhos e entre a China e os EUA, com o chefe do Estado Maior da Armada chinesa a avisar, esta semana, os norte-americanos que qualquer incidente menor pode provocar guerra.

O andamento dos preços das matérias-primas, e em particular do preço do barril de petróleo, vai continuar a ser monitorizado em virtude da sua influência nas economias emergentes exportadoras líquidas de commodities e na "inflação negativa importada" para as economias. Em outubro, o índice da Bloomberg para as matérias-primas desceu 0,4%, depois de ums subida entre 1 e 9 de outubro; desde início do ano, a quebra é de 16,2%.

Na Zona Euro, a atenção dos investidores estará centrada nomeadamente nos desenvolvimentos em Portugal após a tomada de posse do novo governo sem maioria parlamentar baseado na coligação PSD/CDS, no decurso do primeiro exame ao terceiro resgate na Grécia (e nas suas implicações em termos de recapitalização bancária, implementação pelo governo de Alexis Tsipras das 49 medidas prioritárias definidas pelo Eurogrupo e início do processo de discussão de uma nova restruturação da dívida helénica, ponto em que insistiu, uma vez mais, esta semana, o Fundo Monetário Internacional) e nas mudanças no xadrez político em Espanha com eleições legislativas marcadas para 20 de dezembro.