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Montepio com prejuízos de 59,5 milhões de euros

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José Morgado, presidente do banco, atribui os prejuízos às operações financeiras e à queda da margem financeira

Nos primeiros nove meses do ano o Montepio registou um prejuízo de €59,5 milhões, o que compara com um lucro de 19,5 milhões em igual período de 2014. Para este resultado concorreu a redução nos resultados em operações financeiras devido ao menor contributo na alienação de dívida pública portuguesa que se ficou pelos 154,7 milhões de euros (menos 224 milhões que em igual período de 2014).

José Morgado explica que a redução da margem financeira (diferença entre os juros cobrados pelo financiamento e os pagos pelos depósitos) se deveu à redução de concessão de crédito. E que o nível de imparidades contabilizadas ainda são elevadas para o Montepio, esclareceu ao Expresso.

Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o banco refere que o crédito a clientes caiu 5,3% face a igual período do ano passado, o que se deveu "ao cumprimento de uma exigente política de concessão de crédito" na atividade doméstica. Por seu turno nas operações internacionais (Angola e Moçambique) o crédito concedido subiu 1,3%. Em Portugal observou-se uma contração da concessão de crédito imobiliário (8,6%) mantendo-se a estabilidade do crédito concedido a empresas que desceu marginalmente (0,7%).

Quanto aos recursos captados, os depósitos mantiveram-se ao mesmo nível, verificando-se "uma consolidação sólida da base de clientes particulares". O rácio de transformação situou-se nos 99,6%. (totalidade do crédito sobre os depósitos).

O banco liderado por José Morgado desde 7 de agosto destaca a redução das perdas por imparidades no mercado doméstico em 47,3%, que espelham já "a recuperação económica em curso e o impacto da situação económico-financeira das famílias e das empresas". Mas não especifica o valor das mesmas.

Já no que toca às operações internacionais, as imparidades de crédito no Finibanco Angola aumentaram 3 milhões de euros para 10,3 milhões de euros e no moçambicano Banco Terra fixaram-se nos 600 mil euros.

Quanto ao custo do risco de crédito verificou-se também uma melhoria, passando de 3,1% no final de 2014 para 1,6% no terceiro trimestre.

O Montepio dá ainda nota de que apesar de negativos em 130 milhões de euros, os resultados recorrentes registaram uma melhoria face ao prejuízo de 342 milhões de euros registados nos primeiros nove meses do ano passado. José Morgado explica que esta evolução se deve ao crescimento de 6,8% das comissões do segundo para o terceiro trimestre e a uma redução ainda que ténue dos custos operacionais, que é preciso melhorar.

O rácio de capital Tier1 melhorou de 8,51% em dezembro de 2014 para 9,3% no terceiro trimestre, assim como se observa também "um robustecimento do rácio de capital total (phasing-in) para os 10,32% (estava nos 8,67% em dezembro de 2014)". O que evidencia, segundo José Morgado, uma subida dos fundos próprios e uma tendência de descida de ativos ponderados por risco.