Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Juros da dívida portuguesa sobem em outubro e fixam-se acima de 2,5%

  • 333

Os juros das Obrigações do Tesouro português foram os únicos no mercado secundário a subir na zona euro no mês que finda. Prémio de risco da dívida portuguesa acima de 2 pontos percentuais

Jorge Nascimento Rodrigues

Depois de um dia com volatilidade significativa no mercado secundário da dívida soberana, as yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, fecharam em 2,54%, depois de terem aberto a sessão desta sexta-feira em trajetória descendente e dado uma reviravolta a partir das 10h (hora de Portugal) quase atingindo 2,6% pelo início da tarde. O valor de fecho nesta sexta-feira foi o mais elevado em outubro. O comportamento das yields das obrigações espanholas (OE) e gregas, naquele prazo, foi esta sexta-feira similar ao que ocorreu com as OT.

No entanto, em termos da evolução mensal, as yields das OT a 10 anos foram as únicas na zona euro com trajetória ascendente. Registou-se uma subida de 14 pontos base (o equivalente a 14 décimas; cada 100 pontos base equivalem a 1 ponto percentual) entre o final de setembro e 30 de outubro. Em relação a 2 de outubro, antes das eleições legislativas em Portugal, as yields daquelas OT subiram 20 pontos base até esta sexta-feira.

Nos restantes periféricos do euro, as yields das obrigações no prazo de referência desceram em outubro. A maior descida registou-se com as obrigações gregas, cujas yields caíram de 8,46% no final de setembro para 7,95% a 30 de outubro, tendo atingido um mínimo do mês a 22 de outubro descendo para 7,63%. As yields das OE e das obrigações italianas desceram 24 e 25 pontos base respetivamente naquele período.

O prémio de risco da dívida portuguesa fechou o mês subindo para 202 pontos base (um diferencial de 2 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã), um aumento de 21 pontos base em relação ao final de setembro. Os prémios de risco para os restantes periféricos do euro desceram em outubro.

Outubro termina com uma divergência clara entre a trajetória ascendente do custo de financiamento e do prémio de risco das Obrigações do Tesouro português e a trajetória descendente daqueles dois indicadores nos restantes periféricos do euro.

Em 2015, as yields das OT a 10 anos abriram o ano em 2,7%, desceram para um mínimo histórico de 1,51% em março, depois do arranque do programa de compra de dívida pública no mercado secundário pelo Banco Central Europeu (BCE), e registaram um máximo do ano, até à data, de cerca de 3,4% em junho, aquando do auge do risco de bancarrota helénica junto de credores oficiais e de saída do euro da Grécia.

BCE dá impulso para yields negativas: 30% das obrigações

O mês de outubro ficou marcado pela reunião do BCE a 22 de outubro que colocou na agenda a reavaliação do conjunto da política de estímulos monetários - taxas diretoras e programa de compra de ativos públicos e privados - na reunião de 3 de dezembro.

A expetativa de que poderá haver mexidas decididas pela equipa de Mario Draghi - seja na taxa de remuneração de depósitos dos bancos nos cofres do BCE tornando-a ainda mais negativa (daí o interesse no estudo dos casos sueco e suíço pelos especialistas do BCE), seja no anúncio de uma ampliação do programa de compras de ativos - favoreceu a trajetória de descida das yields da dívida obrigacionista na zona euro em outubro (com a exceção das OT) e aumentou o lote de prazos em que as yields estão negativas no mercado secundário (ou seja, em que os credores se dispõem a "pagar" para deter títulos dos países emissores de dívida pública). Recorde-se que a Grécia continua excluída do programa de compra de dívida pública no mercado secundário pelo BCE.

No fecho do mês, são nove os países do euro em que se registam yields negativas: Alemanha que lidera (de 12 meses a 6 anos), Áustria (de 12 meses a 5 anos), Bélgica (de 12 meses a 4 anos), Espanha (a 2 anos com yields em -0,004%), Finlândia (de 2 a 4 anos), França (de 12 meses a 4 anos), Holanda (de 2 a 5 anos), Irlanda (de 12 meses a 3 anos) e Itália (a 12 meses com yields em -0,019%). Três periféricos do euro - Espanha, Irlanda e Itália - estão, assim, nessa zona de custo de financiamento negativo da dívida soberana, com destaque para a Irlanda.

No conjunto da zona euro, segundo cálculos da Bloomberg, 30% da dívida obrigacionista regista yields negativas no mercado secundário.

Fora da zona euro, a Suíça lidera o mundo com yields negativas de 12 meses a 10 anos (neste prazo, fecharam outubro em -0,269%).