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Campos e Cunha: “Um Governo de esquerda nunca acontecerá”

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Luís Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças de José Sócrates, defende uma aliança PS/PSD e o refreamento do consumo

Luís Campos e Cunha, que em 2005 foi durante quatro meses ministro de Estado e das Finanças no Governo de José Sócrates, afirma na edição desta sexta-feira do “Diário Económico” estar “relativamente convencido de que [um Governo de esquerda] nunca acontecerá” em Portugal.

Para ele, a situação ideal seria: “O PS punha três ou quatro questões que considero emblemáticas, - pensões, IVA da restauração, etc. – dando sinal ao país. E, depois, nega-se até ver o Orçamento. Isto permitiria que o país fosse governado e não comprometia o PS com a governação à direita, desresponsabilizando quanto a este aspeto, mas não inviabilizando que o país fosse governado”. Quanto às negociações à esquerda, o economista de 61 anos crê “que [a restruturação da dívida] foi uma das linhas vermelhas traçadas pelo PS.”

Luís Campos e Cunha acredita “que a retoma tem condições para ser mais forte e se enraizar nos próximos anos”, admite que “se as coisas correrem normalmente, talvez se devesse adotar medidas para refrear o consumo” e diz estar certo de que “no longo prazo, os países crescem quando têm boas instituições, Justiça a funcionar, bom sistema de ensino, boas universidades e politécnicos.”

Lembrando a sua passagem pelo Governo, onde deu o lugar a Teixeira dos Santos, conta que saiu porque “[Sócrates] perdeu a confiança em mim e perdi a confiança nele.” Sobre a prisão do ex-primeiro ministro, afirma que nunca imaginou que José Sócrates “pudesse vir a ser acusado de alguma coisa, até porque eu não sabia de coisa alguma pelo pouco tempo que lá estive.” E conclui: “Livrei-me de ser mais tempo ministro das Finanças.”