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Ásia fechou “mista”. Banco do Japão reviu em baixa previsões. Pequim não revela meta de crescimento

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Bolsa de Tóquio encerra com ganhos e bolsa de Xangai fecha em terreno negativo. Resto da Ásia no vermelho. Banqueiros centrais nipónicos não mexem na política monetária, mas cortam nas previsões de crescimento e de inflação. Partido Comunista da China sanciona nova estratégia até 2020. Europa à espera da inflação

Jorge Nascimento Rodrigues

Depois de uma quinta-feira em que as bolsas à escala mundial registaram uma maré vermelha, com quebras acima de 1% nos índices MSCI para os mercados emergentes, a Ásia Pacífico e a Europa, a última sessão de outubro encerrou no Oriente com o que os analistas designam por situação “mista”.

A caracterização de fecho “misto” nas bolsas da Ásia esta sexta-feira advém da importante praça financeira de Tóquio ter encerrado com ganhos nos seus dois principais índices – o Nikkei 225 subiu 0,78% e o Topix avançou 0,72% - e de, no resto da Ásia, a situação ter variado entre o "misto" e o negativo.

Resultados “mistos” na China. Por um lado, o índice composto de Xangai a encerrar com perdas de 0,14%,e , por outro, o índice CSI 300, das 300 principais cotadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, a ganhar muito ligeiramente 0,02% e o índice China A50 a subir 0,27%. Maré vermelha nas restantes bolsas, com o índice Hang Seng, da bolsa de Hong Kong, a liderar as perdas com uma queda de 0,74%.

No conjunto da Ásia Pacífico, o índice MSCI para a região fechou esta sexta-feira em terreno positivo, com um ganho de 0,43%, depois de três sessões consecutivas no vermelho.

Os mercados financeiros na Europa estão à espera da divulgação pelo Eurostat das previsões para a inflação na zona euro em outubro.

Banco do Japão corta nas previsões

A semana na Ásia fechou com o Banco do Japão (BoJ), o banco central nipónico, a manter uma posição de “esperar para ver” com 9 dos membros do seu comité de política monetária a não mexer no quadro do programa ‘quantitativo e qualitativo’ de estímulos (que, nomeadamente, prevê uma aquisição anual de títulos do Tesouro japonês no valor de 80 biliões de ienes, cerca de 600 mil milhões de euros) e apenas 1 a votar por uma redução imediata para quase metade dos estímulos.

No entanto, os banqueiros centrais nipónicos cortaram nas previsões de crescimento e de inflação para 2015 e 2016.

O crescimento da economia japonesa em 2015 poderá situar-se num intervalo entre 0,8% e 1,4%, segundo as previsões da maioria dos membros do comité de política monetária. Em julho previam um intervalo entre 1,5% e 1,9%. Para 2016, a revisão alterou as previsões de um intervalo entre 1,5% a 1,7% para 1,2% a 1,6%. Os banqueiros centrais estão, agora, mais pessimistas. Para 2015 e 2016 há um fator de incerteza de peso, um risco relacionado com “os desenvolvimentos económicos no estrangeiro”, citando o abrandamento nas economias emergentes, e em particular na China. Para 2017, desde julho, que o BoJ prevê um abrandamento significativo do crescimento para um intervalo entre 0,1% a 0,5%, devido ao impacto do aumento do imposto sobre o consumo.

Quanto à inflação em 2015, o BoJ reduziu o intervalo de previsão entre 0,3% a 1% para 0% a 0,4%, uma revisão substancial. Ou seja, a hipótese de uma reflação até 1% é abandonada – a variação dos preços no consumidor andará próxima de 0% “nos próximos tempos”. Para o ano seguinte, a revisão é, também, significativa: de 1,2% a 2,1% (neste caso já dentro da meta de inflação de 2% fixada pelo BoJ) para 0,8% a 1,5%. O BoJ admite que os 2% poderão ser atingidos na segunda metade do exercício fiscal de 2016-2017. O índice de inflação usado pelo BoJ nestas previsões diz respeito à taxa de variação excluindo a categoria de alimentos frescos e o impacto direto do aumento do imposto sobre o consumo.

Segundo o jornal financeiro "Nikkei", em virtude da atitude de "esperar para ver" do BoJ, os investidores e analistas viram-se, agora, para a possibilidade do governo chefiado por Shinzo Abe tomar medidas adicionais de estímulos orçamentais até final do ano, no caso do crescimento no terceiro trimestre - um dado que será divulgado a 16 de novembro - desapontar. Alguns analistas apontam o risco da economia nipónica entrar tecnicamente em recessão - dois trimestres consecutivos com quedas do PIB- se, no terceiro trimestre, se verificar nova quebra do PIB. No primeiro trimestre, a economia japonesa cresceu 1,1%, para depois registar -0,3% no segundo trimestre.

Partido Comunista da China consolida ‘novo normal’

A expressão ‘novo normal’ é muito usada pelo Fundo Monetário Internacional para se referir a um novo contexto, uma nova ‘normalidade’ de funcionamento da economia mundial, no caso, um abrandamento global com novos traços fundamentais, como ritmo claramente mais baixo nas economias emergentes, divergência de políticas monetárias entre os principais bancos centrais do mundo, e inflação baixa em virtude da quebra de preços das matérias-primas.

Os dirigentes do Partido Comunista da China (PCCh) têm, também, usado a expressão para o novo quadro em que se move a economia chinesa, de abrandamento do ritmo de crescimento à beira de abandonar a meta política de 7% ao ano, um patamar que se tem registado desde 2012. Essa nova visão sobre a economia chinesa foi consolidada na 5ªsessão do 18º comité central do PCCh, que terminou na quinta-feira em Pequim.

O jornal oficial “Diário do Povo” refere esta sexta-feira 10 eixos para o novo plano quinquenal entre 2016 e 2020, em que se destacam a mediática alteração da política de um filho por casal (para dois filhos), a meta de duplicação do rendimento per capita na China em 2020 em relação ao nível de 2010 e uma proteção “mais estrita” no âmbito ambiental. O PCCh pretende também fomentar o empreendedorismo, a criação de start-ups, e desenvolver um programa de “inovação em massa” para novas indústrias. Promete, também, menor intervenção na formação de preços. Até 2020, o governo deverá desregulamentar a formação de preços em todos os produtos e serviços nos sectores competitivos da economia.

Os dirigentes chineses não revelaram ainda a nova meta de crescimento anual, que só deverá ser divulgada oficialmente após a aprovação em março do novo plano quinquenal pela Assembleia Nacional Popular, o parlamento chinês. Os economistas chineses, citados pelo jornal oficial, falam de uma nova meta média anual de 6,5% entre 2016 e 2020. O patamar dos 7% deverá ser abandonado politicamente.

Os analistas financeiros chamam esta sexta-feira a atenção para uma valorização da moeda chinesa face ao dólar. Depois de ter fechado a valer 6,3596 yuan na quinta-feira, o dólar caiu. No final de setembro, o dólar trocava-se por 6,3613 yuan. Em termos médios mensais, o yuan valorizou-se entre janeiro e julho, com o dólar a descer, nesse período, de 6,218084 para 6,208627 yuan. Depois, a moeda chinesa desvalorizou-se nos dois meses seguintes, com o dólar a subir para 6,368338 yuan em setembro. A média para outubro situa-se em 6,350913 yuan por dólar, continuando acima do câmbio de julho.

A Ásia foi agitada esta semana por alguma turbulência geopolítica. O almirante chinês Wu Shengli, chefe do Estado-Maior da Armada, avisou quinta-feira, durante uma video conferência, o almirante norte-americano John Richardson, chefe de Operações Navais dos Estados Unidos, que "um pequeno incidente [poderá] desencadear uma guerra [por mar e ar]" a propósito dos recentes desenvolvimentos no Mar do Sul da China.