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Portugal escapa a 9000 despedimentos no Deutsche Bank

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TOBY MELVILLE / Reuters

Com um prejuízo de 6000 milhões de euros no terceiro trimestre, o banco alemão anuncia um plano de corte de pessoal e suspensão de dividendos aos acionistas, Operação em Portugal dá lucros e escapa aos despedimentos

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O Deutsche Bank contabilizou só no terceiro trimestre deste ano um prejuízo de 6000 milhões de euros, que levou a administração do banco germânico a anunciar um plano de reorganização que prevê a eliminação de 9000 postos de trabalho e o encerramento de operações numa dezena de países.

O Deutsche Bank irá fechar as suas operações na Argentina, Chile, México, Uruguai, Peru, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Malta e Nova Zelândia. Além disso, irá transferir as suas atividades de trading no Brasil para outras plataformas que o banco tem espalhadas pelo mundo.

Os despedimentos não irão afetar Portugal. “Quanto a Portugal, nós não vamos ser afetados nem na estratégia de negócio nem na redução de postos de trabalho”, assegura ao Expresso Francisco Pinto Machado, assessor de comunicação do Deutsche Bank. Com 440 colaboradores no nosso país, o banco alemão tem acumulado lucros, o que afasta a necessidade de redução do efetivo no mercado português.

O plano contempla ainda, além da saída de 9000 colaboradores diretos, a eliminação de cerca de 90 empresas do grupo. Globalmente, o Deutsche Bank estima conseguir com o conjunto de medidas agora anunciado uma poupança de 3,8 mil milhões de euros, embora os custos desta reorganização possam ascender a um valor entre 3000 e 3400 milhões de euros.

Uma parte adicional da estratégia do Deutsche Bank passa por suspender o pagamento de dividendos aos acionistas em 2015 e 2016, devendo a remuneração aos investidores regressar em 2017.

Para os prejuízos do terceiro trimestre contribuíram, entre outros fatores, a imparidade da participação de 20% no Hua Xia Bank, custos de processos litigiosos de 1,2 mil milhões de euros e outras imparidades de ativos.

O presidente executivo do Deutsche Bank admitiu o falhanço do banco no seu desempenho financeiro. “No terceiro trimestre de 2015 tivemos um prejuízo recorde. É um resultado muito desapontante, que foi influenciado principalmente por elementos que identificámos em outubro”, comentou John Cryan.

[Notícia atualizada às 10h50]