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Juros da dívida portuguesa em 2,5% em dia de subidas na União Europeia

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Os juros das Obrigações do Tesouro português e das Gilts britânicas foram os que mais subiram esta quinta-feira numa sessão marcada por uma alta geral do custo da dívida na Europa. Probabilidade da Fed subir os juros em dezembro subiu para 50% e o impacto foi forte

Jorge Nascimento Rodrigues

A sessão no mercado secundário da dívida obrigacionista soberana na Europa foi marcada por uma alta generalizada das yields. Destacaram-se, no prazo de referência, a 10 anos, as subidas de 12 pontos base para as yields das Obrigações do Tesouro português (OT) e dos títulos do Tesouro britânico conhecidos por Gilts.

As yields das Ot a 10 anos regressaram esta quinta-feira a 2,5%, um nível que já não se registava desde 15 de outubro. Fecharam a semana anterior em 2,37%.

O movimento foi geral na União Europeia. Na zona euro, no prazo de referência, as yields das OT subiram 12 pontos base, das obrigações alemãs designadas por Bunds aumentaram nove pontos base, tal como no caso das obrigações gregas. Subidas de oito pontos base registaram-se para as obrigações espanholas e irlandesas. As yields das obrigações italianas e francesas subiram sete pontos base.

Apesar desta subida no mercado secundário, o Tesouro italiano colocou dívida de médio e longo prazo pagando taxas de remuneração aos investidores mais baixas do que em operações similares anteriores. Na emissão de obrigações a 10 anos pagou esta quinta-feira 1,48% contra 1,82% anteriormente, e na emissão a 5 anos pagou agora 0,53% contra 0,71% antes.

O que está a afetar negativamente o mercado da dívida europeia pode vir de além-Atlântico. O disparo desde quarta-feira da probabilidade do início da subida das taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana (Fed) na próxima reunião em dezembro está a influenciar o mercado da dívida soberana. Na quarta-feira a Fed explicitou que na sua próxima reunião de dezembro irá apreciar a situação, deixando em aberto um movimento que recusou realizar agora a 28 de outubro. Segundo ao dados desta quinta-feira do observatório da CME para os futuros dos juros da Fed, a probabilidade para o início do processo a 16 de dezembro aumentou para 50% e no caso da reunião de 27 janeiro a probabilidade subiu para 59%. Antes da reunião, as probabilidades respetivas estavam em 39% e 47%; depois da divulgação do comunicado da Fed na quarta-feira subiram para 47% e 55%, e hoje voltaram a subir.

Os analistas referem que se a Fed agir a 16 de dezembro, o Banco Central Europeu (BCE) poderá recuar na decisão de anunciar uma ampliação ainda este ano do programa de compra de dívida pública e privada e não avançar para tornar ainda mais negativa a taxa de remuneração dos depósitos dos bancos nos cofres do banco central (que, atualmente, está em -0,2%).

Um dado muito aguardado na zona euro é o da inflação anual em outubro, cuja estimativa preliminar deverá ser publicada na sexta-feira pelo Eurostat. Esta quinta-feira foram divulgados os dados da inflação anual na Alemanha, que subiu de 0% no mês anterior para 0,3% em outubro, e em Espanha, com um recuo da inflação negativa, de 1,1% em setembro para -0,9% em outubro. Dados que foram encarados positivamente e que diminuem a pressão para a urgência de mais estímulos monetários por parte da equipa de Mario Draghi.

A quinzena de eventos importantes no mundo dos bancos centrais – BCE (reunião em Malta, que revelou que na próxima reunião a 3 de dezembro irá ser reavaliado o quadro de estímulos monetários), Banco Popular da China (que cortou nas taxas diretoras pela sexta vez desde novembro de 2014), Riksbank/Suécia (que ampliou o seu programa de compra de obrigações do Tesouro sueco) e Fed (que deixou no ar a possibilidade de dezembro marcar o fim do período de taxas de juro perto de 0%) - termina na sexta-feira com a reunião do Banco do Japão, com os analistas a não preverem nenhuma decisão de alteração do atual quadro de política monetária.