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Portugueses já estão a comer menos 10% de carne vermelha

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Nos últimos sete anos os portugueses não só reduziram o consumo de carnes vermelhas, em 10%, como de carne em geral, na ordem dos 4%

Sabe quantos quilos de carne vermelha consumiu durante o ano passado? Na verdade, até pode nem ter comido nenhum mas as estatísticas dizem exatamente o contrário. Aliás, vão ao pormenor de assegurarem que, em média, cada residente em Portugal terá ingerido 68,4 quilos de carne de bovino, suíno, ovino, caprino e equino.

Caso não saiba, e ainda segundo as mesmas estatísticas, em cada dia de 2014 poderá ter consumido uma média de 174 gramas daquele tipo de alimento.

Assustador? Provavelmente sim, ainda mais depois das notícias veiculadas na passada segunda-feira pela Organização Mundial de Saúde, segundo as quais as carnes vermelhas e processadas podem provocar doenças cancerígenas.

Mas, se gosta mesmo muito de um bom cozido à portuguesa, onde as carnes e os enchidos são reis, talvez lhe agrade saber que desde 2008 os portugueses em geral reduziram o consumo de carnes vermelhas em 10%. Ou seja, pode continuar a comer um bom prato de cozido à portuguesa ou um rojão à minhota, desde que não faça isso com demasiada regularidade. Por ‘demasia’ deve entender-se, segundo os especialistas, tudo o que for acima de uma vez por semana.

Mas a verdade é que os portugueses não só reduziram o consumo de carnes vermelhas como de carne em geral. Um decréscimo de 4% na ingestão de carne em geral.

Produção de carne a cair

Já agora, também importa referir que em 2014 a produção de carne de bovino diminuiu, fixando-se nas 80 mil toneladas. Quanto ao suíno a produção rondou em 382 mil toneladas, segundo dados da secretaria de Estado da Alimentação. Atualmente existem 1.549.000 animais bovinos e 2.127.000 suínos.

A notícia da Organização Mundial de Saúde caiu como uma bomba no sector. Os representantes dos empresários do sector nem sequer estão disponíveis para falar.

Em comunicado entretanto emitido, a Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes “rejeita firmemente a nova classificação (…) que avaliou o risco carcinogénico de carnes e produtos cárneos”.

Assim sendo, aquela associação “tem vindo de forma proativa a fornecer, com o máximo de detalhes possível, informações para que o consumidor possa ter um entendimento mais amplo tanto sobre a identificação de perigos como da avaliação dos riscos associados”.

No mesmo comunicado a APIC, refere que “há um extenso leque de evidências científicas que comprovam os benefícios do consumo de carne no âmbito de uma dieta saudável”. E continua mencionado que a carne é uma fonte essencial de nutrientes, de proteínas e de vitaminas do grupo B, essenciais ao funcionamento regular do sistema imunitário.

O Expresso tentou falar com o presidente daquela associação mas sem sucesso. Atualmente a APIC representa 84 empresas, que dão trabalho a 6.594 trabalhadores.

Exportações já valem €290 milhões

Este é um dos setores em ascensão no mercado exportador. Dados oficiais a que o Expresso teve acesso mostram que a exportação de carnes de bovino e de porco e seus transformados representam cerca de €290 milhões de euros em 2014, aumento de 15% face ao ano anterior. A grande fatia (perto de 90%) é referente a carne de e transformados.

Desde 2011 foram abertos 13 novos mercados desde o norte de África ao Médio Oriente, passando ainda pelo Japão, Argentina, Venezuela e Canadá.