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Banco central da Suécia decide mais estímulos monetários

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Riksbank aumenta para 200 mil milhões de coroas suecas a meta do seu programa de compra de obrigações do Tesouro sueco até junho de 2016. Considerável incerteza mundial e onda de estímulos monetários em outros bancos centrais incentiva banco central a ser “ainda mais expansionista”. BCE estuda caso sueco

Jorge Nascimento Rodrigues

O Riksbank, banco central da Suécia, decidiu na sua reunião de terça-feira, ampliar o seu programa de compra de obrigações do Tesouro sueco em mais 65 mil milhões de coroas suecas (equivalente a 6,2 mil milhões de euros) fixando a meta de 200 mil milhões de coroas suecas (o equivalente a 21,4 mil milhões de euros) em junho de 2016, segundo anunciou esta quarta-feira.

Os banqueiros centrais suecos alegam que há uma “considerável incerteza” na economia mundial (vide o pessimismo incutido pelos últimos relatórios do Fundo Monetário Internacional na sua assembleia anual este mês) e que “muitos” bancos centrais prosseguem políticas monetárias “expansionistas por um longo prazo”. Por isso, o Riksbank opta por uma política monetária “anda mais expansionista”.

O banco central sueco decidiu manter a taxa de juros para os empréstimos aos bancos em -0,35% e a taxa de remuneração dos depósitos nos seus cofres em -1,1%, níveis fixados em julho passado. Recorde-se que o Banco Central Europeu (BCE) mantem a taxa de juros em 0,05% e a taxa de remuneração de depósitos em -0,2%.

No mundo, apenas o Banco Nacional da Suíça e o Riksbank mantêm taxas negativas simultaneamente nos juros para os empréstimos e nas taxas de remuneração de depósitos. Mario Draghi referiu na última conferência de imprensa deste mês que os especialistas do BCE estavam a estudar estes dois casos de política monetária ultra expansionista. O BCE poderá optar por tornar a taxa de remuneração de depósitos ainda mais negativa se o processo de subida da inflação na zona euro se mostrar "mais vagaroso" do que o esperado, afirmou na terça-feira à noite Benoît Coueré, membro do conselho executivo do banco central.

O objetivo é que a “procura” na Suécia seja mais robusta e que a inflação prossiga um processo de reflação até à meta de 2% que é apontada para 2017 (previsão de 2,4%). Em 2015 a inflação deverá ser de 0% e em 2016 de 1,4%. As previsões de inflação para 2016 e 2017 foram cortadas quatro décimas.

A taxa de juros poderá ainda sofrer novos cortes e o programa de compras de títulos soberanos poderá ser ampliado, pois o Riksbank está preparado para “fazer mais” na política de estímulos, segundo o comunicado divulgado esta quarta-feira. As previsões divulgadas apontam para –0,4% em 2016, ligeiramente mais negativa do que o nível atual, desagravando depois em 2017 para -0,1%, e só deixando terreno negativo em 2018, fixando-se, então, em 0,66%. Além disso, o banco central poderá avançar inclusive para um programa direcionado a empréstimos para o sector empresarial através dos bancos.

O banco central sueco iniciou o processo de fixação de taxas de juro negativas e de compra de títulos do Tesouro em fevereiro deste ano, fixando uma taxa de juro de -0,1% e um programa de compras de 10 mil milhões de coroas suecas.

Em termos nominais, uma taxa de juro negativa nos empréstimos favorece os bancos suecos no recurso ao banco central e uma taxa de remuneração negativa dos depósitos desencoraja-os em parquearem dinheiro nos cofres do Riksbank, fazendo-o circular na economia.