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Bacalhau aos molhos

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Rui Duarte Silva

Na Islândia os stocks de bacalhau estão no nível mais alto dos últimos 30 anos. A pesca da sardinha pode estar no limite, mas o Norte da Europa garante que o bacalhau não vai faltar à mesa na noite de Natal

Os stocks de bacalhau na Islândia estão ao nível mais alto desde 1985 e, este ano, a captura recomendada para as águas islandesas é de 239 mil toneladas, uma subida de quase 10% comparativamente às 210 mil toneladas capturadas em 2014, anunciaram as autoridades locais.

A menos de dois meses do Natal, a decisão das autoridades islandesas acompanha notícias recentes de que a Noruega e a Rússia decidiram manter a quota de pesca de bacalhau no mar de Barents nas 894 mil toneladas e vêm confirmar que “as populações de bacalhau do Atlântico estão em bom estado”, garante Paulo Mónica, secretário-geral da Associação dos Industriais de Bacalhau (AIB).

No quadro atual, “não há qualquer problema nos stocks de bacalhau”, diz Paulo Mónica.

Em peso seco, o consumo nacional de bacalhau ronda as 65 mil toneladas por ano, o que corresponde aproximadamente a 20% de todo o bacalhau capturado no mundo. Quanto aos principais fornecedores das mesas lusas são, precisamente, a Noruega, a Rússia e a Islândia, país que exporta 17 mil toneladas de bacalhau por ano para Portugal

Assim, numa altura em que a pesca de sardinha enfrenta limitações que podem afetar, em especial, a indústria conserveira, uma vez que várias organizações de produtores já esgotaram as suas quotas, tendo sido prolongado por dois meses, até 31 de dezembro, o prazo para os pescadores de Sesimbra e Setúbal lançarem as redes ao mar de forma a aproveitarem ao limite a quota de 150 de toneladas que ainda têm disponíveis, o “fiel amigo” promete, mais uma vez, não falhar.

No caso da sardinha, depois do limite total para a pesca do cerco ter sido fixado em 13 mil toneladas em 2015, ainda não se sabe qual o teto de captura que vai limitar a atividade dos pescadores em 2016, mas o Conselho Internacional para a Exploração dos Mares recomendou que a pesca desta espécie nas águas ibéricas não deve passar as 1.587 toneladas, o que representa aproximadamente 1/10 do valor definido para 2015.

Já no que respeita ao bacalhau, do lado da Islândia, a decisão de manter o crescimento da quota da pesca pelo oitavo ano consecutivo é justificada pela “política de pescas responsável” adotada pelas autoridades islandesas para aumentarem de forma gradual e controlada a pesca de bacalhau e outras espécies, defende Gudny Káradóttir, diretora da Fodd-Fisheries and Agriculture da Iceland Responsabile Fisheries.

Um guia de sustentabilidade divulgado recentemente pelo Oceanário de Lisboa e pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera, refere que cada português consome, em média , 57 quilos de pescado por ano e alerta para a necessidade de evitar espécies vulneráveis, sobre exploradas ou sujeitas a métodos de captura/ criação com impacto no meio ambiente, designadamente o salmão, lula e bacalhau.

A Associação dos Industriais de Bacalhau (AIB) explica, no entanto, que o bacalhau que abastece a indústria nacional e que os portugueses consomem é proveniente de pescarias sustentáveis, cujo estado da biomassa “é permanentemente monotorizado”.

Composto por 30 empresas que garantem 2 mil postos de trabalho direto, o sector da indústria de processamento de bacalhau em Portugal, exportou 100 milhões de euros em 2014, um valor que poderá registar um crescimento ligeiro em 2015.