Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

BPI ainda não tem acordo dos angolanos para separar os negócios em África

  • 333

O presidente do BPI, Fernando Ulrich diz estar a falar com os parceiros do Banco de Fomento Angola (BFA), a Unitel, por causa do projeto de cisão que vai separar a atividade em Portugal da atividade em África. E que formalmente não recebeu qualquer proposta de Isabel dos Santos, também acionista da Unitel

"O projecto de cisão é muito exigente. Envolve a aprovação de muitas entidades. Precisamos do acordo do parceiro em Angola, a Unitel e das autorizações dos vários bancos centrais". Foi assim que Fernando Ulrich respondeu às questões colocadas pelos jornalistas na conferência de apresentação de resultados do BPI.

Ulrich afirma que a Assembleia Geral onde os acionistas vão votar a proposta de cisão aprovada pelo conselho de administração do banco deverá acontecer até ao final do ano, mas não se compromete com mais detalhes sobre o andamento das conversações.

"Estamos a trabalhar e a conversar com várias entidades (Banco Central Europeu, e bancos centrais de Angola e Moçambique) e com a Unitel que tem uma posição relevante nesta matéria. O processo está em curso. Estamos a trabalhar com um espírito construtivo para alcançar objectivos comuns a todos os acionistas".

A Unitel tem 49,9% do BFA e o BPI 50,1% e a cisão passa por criar uma sociedade gestora de participações para a qual transitam a posição dos acionistas do BPI no banco em Angola, os 30% que o BPI tem no banco em Moçambique (BCI) e 100% da sociedade de investimento do BPI em Moçambique.

Ulrich não se inibe, de dizer mais uma vez que separar o BFA do BPI não "é o meu sonho de vida. Gostava que o BPI continuasse como está. Mas a realidade é o que é". Trata-se de uma imposição do Banco Central Europeu e por isso "manda quem pode - o BCE -, obedece quem deve - o BPI", sublinha Ulrich.

Uma imposição do BCE que obriga a uma menor exposição dos bancos que supervisiona aos países africanos por considerar que a supervisão em Angola não é equivalente à praticada na zona euro.

O BPI é afetado porque detém uma posição maioritária no BFA e excedeu os limites de exposição a dívida pública angolana.

O único senão na operação é a posição, ainda que informal, da segunda maior acionista do BPI, com 18,6% do BPI, que como alternativa ao projecto de cisão, preferia comprar uma posição direta no BFA.

Fernando Ulrich esclareceu hoje que até agora não existe qualquer proposta nesse sentido.