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Prémio de risco da dívida portuguesa acima de 2 pontos percentuais

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Os juros da dívida portuguesa a 10 anos continuaram em trajetória de subida esta terça-feira, ainda que ligeira. Ao contrário da descida dos juros para a maioria dos membros do euro, com exceção da Grécia. Prémio de risco da dívida portuguesa regressa a níveis de há mais de um mês

Jorge Nascimento Rodrigues

O prémio de risco da dívida portuguesa de longo prazo ultrapassou esta terça-feira a barreira dos 200 pontos base, fechando em 202 pontos, o equivalente a um diferencial de pouco mais de 2 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência. Um nível superior a 200 pontos base não se registava desde 23 de setembro.

A subida do prémio de risco deve-se ao fato das yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos terem continuado esta terça-feira a subir no mercado secundário, fechando a sessão em 2,47%, enquanto as yields relativas às obrigações alemãs no mesmo prazo terem continuado a descer, encerrando a sessão em 0,45%.

Desde 22 de outubro que as yields das OT a 10 anos têm estado em trajetória ascendente no mercado secundário subindo 16 pontos base (o equivalente a 16 décimas; 100 pontos base equivalem a 1 ponto percentual), situando-se, agora, 13 pontos base acima do valor de fecho a 2 de outubro, antes das eleições legislativas de 4 de outubro. A 15 de outubro as yields naquele prazo chegaram a fechar em 2,5%.

Esta semana, nas duas sessões já realizadas, as yields das OT a 10 anos têm estado a subir, enquanto o custo de financiamento para Espanha, Itália e Irlanda desceu – a divergência de trajetórias é, agora, nítida. Resta saber se se manterá. A tendência ascendente foi partilhada esta terça-feira pela Grécia, com as yields das obrigações gregas naquele prazo de referência a fecharem em 7,64%, abaixo do valor de encerramento da semana passada e do patamar de 8% com que iniciou o mês.

O novo governo português chefiado pelo primeiro-ministro incumbente toma posse na sexta-feira e deverá cair aquando da apresentação do seu programa na Assembleia da República onde não dispõe de maioria. Desde o mínimo histórico em março, as yields das OT a 10 anos atingiram máximos dos últimos oito meses em junho e julho, registando 3,2%, aquando do auge da crise grega com risco de bancarrota da dívida helénica junto dos credores oficiais e de saída do euro como chegou a ser defendido no Eurogrupo por uma maioria de ministros das Finanças da zona euro apoiando a proposta do ministro alemão Wolfgang Schäuble para uma saída temporária com uma reestruturação de dívida e uma desvalorização cambial fora do quadro do euro. Na Grécia, a primeira ronda do 1º exame ao terceiro resgate terminou no final da semana passada e soube-se que foi “inconclusiva” em diversas matérias e o governo ainda só implementou 1/3 das 49 medidas prioritárias requeridas pelo Eurogrupo, segundo o balanço realizado pelo site independente MacroPolis.

A semana será marcada pela reunião da Reserva Federal norte-americana (Fed) que se iniciou esta terça-feira e terminará amanhã com uma conferência de imprensa da sua presidente, a economista Janet Yellen. Ainda que não se prevendo que a Fed anuncie esta semana o início do processo de subida das taxas de juro, os analistas esperam “sinais” para avaliar se efetivamente essa mexida na atual política monetária se concretizará até final do ano, como afirmou Yellen, ou se será adiada para o final do primeiro trimestre de 2016, como apontam as probabilidades inferidas dos futuros das taxas de juro (observatório da CME). Um caminho ou outro até final do ano terá repercussões importantes nos mercados financeiros.