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Bolsas. Ásia fecha no vermelho. Exceção é China

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Depois de uma segunda-feira com ganhos ligeiros, as bolsas na Ásia e Pacífico fecharam em terreno negativo, com exceção de Xangai, cujo índice composto terminou valorizando 0,14%. Partido Comunista em Pequim não revela ainda meta de crescimento. Europa abre com perdas

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas na Ásia e Pacífico fecharam esta terça-feira em terreno negativo, depois de terem valorizado 0,47% na segunda-feira, segundo o índice MSCI para o conjunto da região. As maiores quedas registaram-se esta terça-feira na Bolsa de Tóquio, com os índices Nikkei 225 a perder 0,9% e o TOPIX a recuar 1,02%.

A exceção a este panorama foi a China. O índice composto de Xangai acabou por fechar ligeiramente em terreno positivo, registando um ganho de 0,14%, e o índice CSI 300 (das 300 principais cotadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen) avançou 0,1%. Na segunda-feira, os dois índices haviam, também, registado ganhos, de 0,5%. Estes ganhos ligeiros registam-se depois do Banco Popular da China, o banco central, ter cortado em 25 pontos base os juros para os empréstimos aos bancos e a taxa de remuneração dos depósitos, num movimento de mais estímulos monetários.

A semana na Ásia é marcada por dois acontecimentos, um político e outro a nível de bancos centrais, com impacto macroeconómico.

O Comité Central do Partido Comunista da China realiza uma reunião com vista a aprovar o 13º Plano Quinquenal para vigorar como orientação política entre 2016 e 2020. A questão mais importante é saber qual a meta política para o crescimento anual nos próximos cinco anos, se no patamar dos 7% (ou “cerca de” 7% como ultimamente se tem referido) ou claramente abaixo. No entanto, um anúncio oficial dessa meta não será feito antes do Plano quinquenal ser ratificado pelo Congresso Nacional Popular, o equivalente a um Parlamento, em março do próximo ano, sublinha esta terça-feira o jornal oficial “Diário do Povo”.

Os analistas esperam, por isso, por “fugas” dos debates e por declarações de economistas relevantes. Wang Jun, investigador do think tank Centro Chinês para o Intercâmbio Económico Internacional, disse esta terça-feira ao "Diário do Povo" que um crescimento anual do PIB chinês entre 6,5% e 7% em média até 2020 é “indispensável para duplicar o PIB e o rendimento per capita de 2010” no final do novo plano. No entanto, a maioria dos economistas citados pelo jornal oficial apontam para uma meta média anual de 6,5% até 2020. Chang Xiuze, da Universidade de Tsinghua, afirma mesmo que "a velha meta económica de 7% será difícil de manter" e o jornal oficial conclui que os economistas aconselham o Partido a baixar a meta e a considerar uma taxa inferior a 7% como "aceitável para a economia".

Recorde-se que o Fundo Monetário Internacional, no último relatório do “World Economic Outlook”, divulgado no início deste mês, previa crescimentos de 6,8% e 6,3% em 2015 e 2016. A média anual nos últimos quatro anos foi de 7,98%. O ritmo de crescimento anual desceu para o patamar de 7% em 2012, depois de um crescimento de 9,5% em 2011.

O Banco do Japão realizará a sua reunião de política monetária na sexta-feira, e a maioria dos analistas não espera que sejam anunciadas mais medidas de estímulos monetários.

A Europa abriu esta terça-feira no vermelho, com os índices Dax alemão e Ibex 35 espanhol, que na segunda-feira tinham conseguido fechar ligeiramente em terreno positivo, a registarem perdas. No conjunto, a Europa registou perdas de 0,18% na segunda-feira, segundo o índice MSCI para a região. Nos EUA apenas o Nasdaq fechou em terreno positivo (há duas sessões consecutivas acima de 5000 pontos), com o índice MSCI para os EUA a perder 0,18%. Na segunda-feira, os analistas da economia alemã respiraram de alívio quando o índice de clima de negócios para outubro divulgado pelo Ifo registou 108,2 pontos um valor ligeiramente abaixo do de setembro (108,5) mas acima das previsões pessimistas (107,8).

  • A Bolsa de Lisboa abriu esta terça-feira em terreno negativo, com o PSI20, o principal índice da praça lisboeta, a cair 0,28%, à semelhança das bolsas na Europa, que também estão a negociar no vermelho, influenciadas pelos resultados trimestrais de grandes empresas e com os investidores à aguardarem pela reunião da Reserva Federal (Fed) norte-americana.