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Um café custa... 250 ações do Banif

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Banif agravou os prejuízos

Tiago Miranda

O Banco Internacional do Funchal continua a cair em Bolsa. Esta manhã, voltou a atingir um novo mínimo histórico. Cada ação vale 0,0026 euros. Um quarto de cêntimo

O Banif já esteve a cair 10,7% na sessão bolsista desta manhã e volta a atingir um novo mínimo histórico, com as ações a valer 0,0026 euros, depois de terem atingido um mínimo de 0,0025 euros nas primeiras horas do dia. Às 11h, a ação seguia a recuar 7,14%, valendo 0,0026 euros. Seriam pois necessárias 250 ações para pagar um café que custasse 65 cêntimos. Desde a última segunda-feira, as perdas acumuladas já chegam aos 27,8%. Com aquela cotação, o banco vale em Bolsa 109 milhões de euros.

A espiral de desvalorização começou há uma semana, depois das declarações trocadas entre PS e coligação PSD/CDS, quando ainda se faziam reuniões de negociação com vista a um eventual entendimento para a formação do Governo. António Costa referiu que a coligação havia deixado "cair surpresas desagradáveis em cada reunião" e acusou o PSD/CDS de "omissões gravíssimas" nas negociações.

A coligação disparou na direção do PS e Maria Luís de Albuquerque emitiu um comunicado, durante o fim de semana, afirmando que "nessas reuniões que não foram "suscitadas quaisquer preocupações ou informações sobre temas que não sejam do conhecimento público". E especificou: "Como é o caso do processo de privatização da TAP ou a investigação aprofundada sobre o Banif iniciada pela Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia."

Ainda não se sabe o que pretende o Estado fazer do banco, do qual detém 60,5% do capital, depois de ter injetado 700 milhões de euros. O Banco Internacional do Funchal continua por vender determinados ativos e não conseguiu ainda atrair investidores para reforçar o seu próprio capital. Falta entrar novos acionistas de referência e os investidores não têm mostrado interesse por negociações que já estão a decorrer, com a venda de 78,9% da operação que o Banif detém em Malta. O objetivo era chegar ao fim de outubro com o tema resolvido, mas a venda vai ter de aguardar. Assim como venda do Banif Brasil, que foi reestruturado mas que também ainda não foi vendido.

No final do ano passado, o banco liderado por Jorge Tomé deveria ter pago 125 milhões de euros ao Estado, o montante correspondente à última fatia do empréstimo de 400 milhões de euros de obrigações de capital contingente (CoCos). O banco, que já devolveu 275 milhões de euros, tem apontado as dificuldades na venda da seguradora Açoriana e de outros ativos (nomeadamente imobiliários) como impedimentos à liquidação da dívida.

Segundo as regras europeias de recapitalização do sistema financeiro, uma das soluções poderá passar pela transformação dos CoCos em ações, com o Estado a passar de credor a acionista (obrigando a uma nacionalização de prejuízos). Entretanto, a Direção-Geral da Concorrência da União Europeia já avisou que ou o Banif paga os 125 milhões de euros e aplica um programa de reestruturação validado pela União Europeia ou a ajuda pública (agora nos 825 milhões de euros) deve ser devolvida. E a Comissão Europeia ja veio considerar o plano de reestruração do Banif insuficiente. O acordo de capitalização do banco prevê que até 2017 um investidor privado substitua o tesouro.

Debaixo dos holofotes, a performance do Banif em Bolsa tem sido de grande desvalorização esta semana. Esta segunda-feira não é diferente, como explica a XTB Brokers, em comunicado: "A pior performance é atribuída ao Banif, que volta a somar perdas avultadas, seguindo a tendência do sector, tocando num novo mínimo. Os efeitos positivos do discurso do Presidente do BCE são agora ultrapassados pelo factores fundamentais de cada instituição. A esse nível, o Banif aguarda ainda a aprovação do seu plano de reestruturação por parte da Comissão Europeia."