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Novo governo na Polónia vai custar milhões ao BCP e à Jerónimo Martins - e já se nota

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Vitória do partido nacionalista Lei e Justiça (PiS), que defende o aumento de impostos sobre a grande distribuição e a banca, coloca as empresas sob pressão. BCP pode sofrer perdas de 50 milhões de euros na Polónia. As empresas, que têm negócios na Polónia, lideram as quedas bolsistas esta segunda-feira entre as maiores cotadas

O BCP caía 3,41% nas negociações em Bolsa a meio da manhã desta segunda-feira, atingindo 5,1 cêntimos. A Jerónimo Martins seguia a negociar também no vermelho, perdendo 1,32% (para 12,68 euros). As duas cotadas estão a pressionar o PSI-20 para o vermelho, às 10h10 caía para os 0,42%. Na abertura, o PSI-20 chegou a recuar 0,89%. A par do Banif e do BPI, estes dois títulos lideram as quedas na praça de Lisboa.

Com importantes operações na Polónia, as duas cotadas portuguesas estão a sentir o abalo dos resultados eleitorais deste domingo naquele país, que deram a vitória (39,1% segundo as últimas projeções) ao partido nacionalista polaco Lei e Justiça (PiS). Assumidamente eurocético, o PiS tem um discurso xenófobo e defende o aumento de impostos sobre o negócio da distribuição e sobre a banca.

Segundo Steven Santos, gestor do BiG, refere que, “em relação ao BCP, a principal proposta do partido eleito está relacionada com um imposto extraordinário a ser colocado ao sector que pode estar dependente do total dos ativos financeiros de cada banco ou das transacções financeiras efetuadas. O cenário base nesta altura é a imposição de um imposto de 0,39% sobre o total dos ativos financeiros. O impacto estimado deste imposto no caso do Millennium Bank (banco polaco subsidiário do BCP), tendo em conta os resultados do primeiro semestre de 2015, seria de cerca de 50 milhões de euros, que representa cerca de 33% do lucro líquido anual apresentado pelo banco para 2014. Outra questão importante está ligada à conversão de créditos hipotecários denominados em francos suíços para zlotys polacos. O partido eleito também tem uma postura mais penalizadora para a banca neste caso, mas a resolução deste tema não é tão linear como a imposição do imposto”.

Já no que se refere à Jerónimo Martins, a criação desta taxa especial para os retalhistas, que ainda está dependente de investigação da Comissão Europeia, segundo o analista esta tem como objetivo “garantir a normalização das condições concorrenciais, num sector em que a maioria dos players são detidos por capital estrangeiro. Esta medida deve abranger a maior parte das retalhistas pelo que é expectável que o impacto da taxa seja transmitido aos consumidores através de um aumento nos preços. Caso esta transmissão não ocorra na totalidade, estimamos que o impacto no fair value da cotada seria de EUR 1,53 por cada ponto percentual imputado às vendas do Grupo na Biedronka.”

Pedro Santos, gestor da XTB Portugal,explica que o retalho e a banca são "os dois sectores com mais investimento direto estrangeiro, pelo que, na prática, o que o novo Governo polaco pretende é taxar o capital estrangeiro".

Para Filipe Garcia, economista da IMF - Informação de Mercados Financeiros, "a forma clara como o PiS ganhou estas eleições, com maioria absoluta, abre espaço para que, de facto, as suas propostas sejam implementadas sem grande esforço". O especialista aponta para o facto de o partido nacionalista e conservador ter ganho estas eleições à custa de um "discurso que vai até contra os mercados". E conclui: " Torna-se mais arriscado fazer negócio nestas circunstâncias".

Europa no vermelho

Por toda a Europa, as Bolsas estão esta segunda-feira a negociar no vermelho, depois da forte subida na semana passada, após o Banco Central Europeu (BCE) ter dados indicações de que iria prosseguir com a política de estímulos económicos.

Às 8h18 em Lisboa, o Euro Stoxx 50 caía 0,34% para 3.414,23 pontos, com as principais praças europeias a oscilarem entre uma perda de 0,77% de Lisboa e uma queda de 0,12% de Madrid.

Londres recuava 0,30%, Paris caía 0,54%, Frankfurt perdia 0,14%, Milão deslizava 0,12% e Atenas descia 0,36%.

Os investidores estão esta segunda-feira atentos à divulgação do índice IFO, que mede o sentimento dos investidores alemães, bem como a outros indicadores macroeconómicos do país, para poderem ter uma melhor perceção do impacto do escândalo da Volkswagen na economia germânica e do abrandamento da economia chinesa, explicaram os analistas.

Entretanto, o preço do barril de petróleo Brent, para entrega em dezembro, abriu esta manhã em baixa no Intercontinental Exchange Futures de Londres, a valer 48,00 dólares, menos 0,02% que no encerramento da sessão na sexta-feira.

Na sexta-feira, o barril de petróleo Brent, para entrega em dezembro, fechou no mercado de futuros de Londres a valer 48,01 dólares, menos 0,12% do que no fim da sessão anterior.