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Mota Engil contrata Luís Pacheco de Melo

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FOTO Tiago Miranda

Ex-administrador da PT é o novo administrador executivo da Mota Engil na América Latina, que acaba de anunciar um investimento na energia que fez as ações subir 5%. Pacheco de Melo mantém ligação aos negócios em Portugal. António Mota explica ao Expresso as razões da contratação

Luís Pacheco de Melo é o novo administrador financeiro da Mota Engil América Latina, confirmou António Mota esta manhã ao Expresso. E desfez-se em elogios, garantindo não ter qualquer problema com processos em curso que impliquem o ex-administrador executivo da Portugal Telecom. “Para mim isso não é questão. Conheço-o há dezenas de anos, contratámo-lo pelo seu valor, que é reconhecido por todos”, disse o “chairman” do Grupo Mota-Engil.

As declarações são do dia em que a Mota-Engil valorizava cerca de 5% em Bolsa, numa segunda-feira em que o mercado português estava no “vermelho”. Em causa está o anúncio de um negócio precisamente no México, em que Luís Pacheco de Melo já esteve envolvido. O gestor iniciou funções no final de setembro e, além das funções executivas naquele continente (nomeadamente no México, Peru, Brasil e também Colômbia), vai estar ligado a Portugal em temas estratégicos, quer da Mota-Engil, quer da família Mota, acionista da construtora.

“Luís Pacheco de Mello é uma pessoa que eu admiro há muito tempo, é um homem de grande sabedoria, em toda a área financeira, conhece as instituições financeiras e é conhecido nelas, tem uma grande experiência acumulada, é muito trabalhador e dá um grande impulso nos negócios em que marca metas, lutando por elas até ao fim. Adapta-se totalmente às características do grupo Mota-Engil e estava disponível no mercado, não podia deixar de tentar que ele aderisse ao nosso grupo.”

Projetos para a América Latina… e as ações sobem
A valorização da Mota Engil em Bolsa acontece à medida que os investidores fazem contas ao impacto do negócio anunciado na sexta feira à noite no México (ver em baixo). António Mota explica ao Expresso que “a América Latina tem neste momento um desenvolvimento muito significativo no grupo, quer no México, quer nas oportunidades no Peru, quer ainda na situação no Brasil, que é instável no país mas é muito estável para o Grupo, pois queremos crescer devagar. Na América Latina vive-se hoje uma fase em que as concessões são modelos preferenciais, em que nós temos muito conhecimento.”

“Nós diversificámos há muitos anos”, prossegue António Mota, “apontando para três áreas: concessões, ambiente e logística. Reforçámos agora a área do ambiente com a aquisição da EGF, o que nos deu um negócio mais verticalizado e nos deixa mais aptos para nos apresentarmos quer na América latina quer também em África. Evoluímos na capacidade de nos internacionalizarmos”.

Já nas concessões, Portugal “está numa fase sem crescimento, é um negócio maduro, pelo que estamos a fazer um processo, como previsto, de alienação de uma parcela de capital da nossa empresa”, assunto que “o Novo Banco está a acompanhar”. A dívida da Mota Engil ao banco é um das necessidades em causa. “A nova aposta da área das concessionárias é na America Latina, e pode evoluir também em África nos próximos anos”, prossegue António Mota. “E apresentámos também uma proposta de alienação de uma parte da área de logística, como é sabido”.

“Faltava a área da energia”, conclui, “que é fundamental no crescimento. Há oportunidades enormes na América Latina e em África. Fizemos prospeção no mercado peruano e agora apareceu este negócio num país [México] que está a abrir-se à iniciativa privada. Como sempre, fizemo-lo com confidencialidade, muita perseverança e apostamos que seja um fator de crescimento de muitos anos.”

Um negócio mexicano
Como o Expresso noticiou no semanário do último sábado, a Mota-Engil chegou a acordo para construir e explorar vários ativos de produção de energia elétrica no México, que terão uma capacidade de produção instalada de 2000 MW, posicionando-se como o maior operador privado no mercado de energia recentemente liberalizado naquele país. O anúncio foi feito ao mercado na passada sexta-feira à noite e dá conta de um inusitado parceiro na composição da estrutura acionista. A empresa, que se chamará Sociedade Generadora Fénix (SGF), tem a posição maioritária da Mota-Engil México, e o restante 49% é detido pelo Sindicato Mexicano de Electricistas (SME).

De acordo com o comunicado enviado à CMVM, a SGF vai construir, manter e explorar cinco centrais hídricas (com uma capacidade instalada de 288 MW) e dez centrais mini-hídricas, passíveis de renovação, com capacidade instalada de 20 MW cada, aproximadamente.

O processo da Pharol
Luís Pacheco de Melo era administrador financeira da PT aquando do investimento ruinoso de 890 milhões de euros em dívida da Rioforte, investimento através do qual a derrocado do Grupo Espírito Santo contagiou a PT. A Pharol, antiga PT SGPS, processou entretanto três antigos administradores: Henrique Granadeiro , Luís Pacheco de Melo e Amílcar Morais Pires. A Pharol pede na ação uma indemnização correspondente à diferença entre os 897 milhões de euros e o valor que a empresa vier a receber no âmbito do processo de insolvência da Rioforte, bem como os demais danos que vierem a apurar.