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Presidente da CIP aponta o dedo ao “tom crispado” de Cavaco

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MIGUEL A. LOPES / Lusa

Em nome da estabilidade, António Saraiva gostaria de ter ter ouvido o discurso do Presidente da República num registo “mais apaziguador”

O presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal está preocupado com “o tom crispado” usado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, ao anunciar, esta quinta-feira, a indigitação do líder do PSD, Passos Coelho, para o cargo de primeiro-ministro. É um registo que “pode prejudicar o ambiente político-partidário” e o “quadro de diálogo e estabilidade”, diz o dirigente patronal em declarações à Agência Lusa.

Apesar de Cavaco Silva ter cumprido as expectativas ao indigitar Pedro Passos Coelho, por ser o líder do partido mais votado nas eleições legislativas de 4 de outubro, houve um problema no tom usado, afirma Saraiva, admtindo que o registo escolhido pode prejudicar o necessário quadro de diálogo e estabilidade que o momento político exige.

Para o presidente da CIP, Cavaco Silva deveria ter adotado “um tom mais apaziguador, independentemente da solução encontrada e que era obviamente lógica e normal”. “Receio que, com este tom do discurso, venha crispar o ambiente politico-partidário num momento em que precisamos de tranquilidade para vencer os desafios que temos pela frente”, sublinhou.

Ao indigitar Passos, Cavaco Silva dramatizou o quadro atual. Disse que “o Governo formado pela coligação vencedora pode não assegurar inteiramente a estabilidade política que o país precisa”, e considerou “muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas”.

Cavaco falou mesmo de forças “antieuropeistas” e considerou significativo o facto dos partidos envolvidos na base de um acordo entre PS, Bloco de Esquerda e PCP, não terem apresentado “garantias de uma solução alternativa estável, duradoura e credível”.

“A alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas” teria consequências economicas, sociais e financeiras “muito graves”, disse o Presidente, manifestando a sua oposição frontal à hipótese de vir a ser constituído um Governo em Portugal com o apoio de partidos antieuro, anti-integração europeia e anti-NATO e defendendo que o futuro do país fora da zona euro e da União Europeia “seria catastrófico”.