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Efeito Draghi esmorece. Juros da dívida em alta

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Depois de uma abertura com os juros das obrigações em baixa na zona euro, a trajetória inverteu-se. Juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos variaram entre 2,24% na abertura e 2,36% a meio da manhã. O quadro de subida é geral nos periféricos, com exceção da Irlanda

O efeito positivo das declarações de Mario Draghi na conferência de imprensa de quinta-feira parece estar a esmorecer no mercado da dívida soberana. Ao contrário do que está a suceder no mercado bolsista, onde se regista mais um dia de ganhos nas praças da zona euro.

O anúncio de que o Banco Central Europeu (BCE) reavaliará os seus estímulos monetários na reunião de 3 de dezembro provocou na quinta-feira no mercado secundário uma quebra das yields da dívida obrigacionista na zona euro, particularmente no prazo de referência, a 10 anos, com destaque para Espanha, Itália e Portugal, com descidas diárias superiores a 10 pontos base.

Mas esta sexta-feira, depois de uma abertura em baixa, a trajetória inverteu-se e as yields a 10 anos estavam pelas 11h30 a subir em todos os periféricos, com exceção da Irlanda.

No caso das Obrigações do Tesouro português (OT), a flutuação da curva das yields a 10 anos variou entre uma abertura em baixa, registando 2,24%, na sequência da trajetória descendente de quinta-feira, e uma subida até 2,36% pelas 10h30. Pelas 11h30, as yields registavam, naquele prazo de referência, 2,34%, mais dois pontos base em relação ao fecho de quinta-feira. A trajetória é de subida e alinha com a tedência geral na zona euro.

Já depois do fecho do mercado da dívida na quinta-feira, o Presidente da República portuguesa indigitou o primeiro-ministro incumbente para formar governo na sequência das eleições de 4 de outubro.

Apesar da trajetória geral de subida esta sexta-feira, outro efeito marcante das palavras de Draghi foi a ampliação dos prazos na dívida obrigacionista de membros do euro que registam taxas negativas, ou seja, títulos que os investidores se dispõem a adquirir mesmo tendo de "pagar" para tal aos emissores de dívida soberana.

Na abertura de sexta-feira, nove paises do euro registavam yields negativas no mercado secundário: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha (nos prazos a 1 e 2 anos), Finlândia, França, Holanda, Irlanda (nos prazos de 1 a 3 anos) e Itália (a 1 ano). No caso das obrigações alemãs, as taxas negativas abrangem os prazos de 1 a 6 anos, o leque mais amplo na zona euro.

Recorde-se que o BCE adquire no mercado secundário, desde março, dívida obrigacionista dos estados membros do euro de 2 a 30 anos desde que a sua remuneração negativa não exceda -0,2% (o limiar fixado como referência, a partir da taxa negativa de remuneração dos depósitos dos bancos da zona euro nos cofres do BCE). No caso do BCE optar, a 3 de dezembro, por rever aquela taxa para um valor negativo ainda mais elevado (como por exemplo sucede na Suíça, um caso que Draghi declarou estar a ser estudado), o referencial para aquisição de dívida obrigacionista com taxas negativas levará à ampliação dos prazos que passarão a ficar no perímetro dessas compras.