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TAP: Futuros donos aceitam ajustes ao acordo

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Governo aprovou esta quinta-feira ajustamentos ao acordo de venda de 61% da TAP ao consórcio Atlantic Gateway. "Reforço dos mecanismos de controlo da situação económica e financeira" são "relevantes para o sucesso da privatização", respondem Pedrosa e Neeleman

"Aceitamos o reforço dos mecanismos de controlo da situação económica e financeira a que estaremos submetidos por parte do Estado hoje aprovado porque entendemos ser relevante para o sucesso da privatização e para os vários stakeholders da TAP", afirma fonte do consórcio Atlantic Gateway (que junta o empresário português Humberto Pedrosa e o norte-americano David Neeleman). A declaração surge depois de o Governo ter aprovado esta quinta-feira alguns ajustamentos ao acordo de venda da companhia aérea portuguesa.

"Estamos confiantes no sucesso da privatização pelo que continuamos a trabalhar intensamente em várias frentes, entre as quais na renegociação da dívida financeira do grupo, no sentido que permita a viabilidade e sustentabilidade do nosso projeto para a TAP que assenta numa estratégia de crescimento e preservação dos postos de trabalho", adianta a mesma fonte.

O Governo anunciou esta quinta-feira que foram feitas alterações a um anexo do acordo de venda direta da TAP para "reforçar os mecanismos de controlo da situação financeira que protejam o Estado", afirmou o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, caso o Estado venha a exercer a opção de reversão da privatização por incumprimento do comprador de algumas condições estabelecidas, e explicou que estas alterações pretendem assegurar que, caso a TAP volte para mãos públicas, terá uma situação financeira melhor do que a registada no momento da venda.


"Não há nenhuma contrapartida. O consórcio sabe que um dos nós que rapidamente se tem de desatar na empresa é o estrangulamento financeiro em que a empresa está", disse o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Marques Guedes, após a reunião do Conselho de Ministros em que foi aprovada a resolução, acrescentando que a Atlantic Gateway "sabe que tem de desatar este nó e sabe da resistência das instituições financeiras relativamente a esse desatar do nó, ou seja, relativamente à reestruturação da dívida".


Marques Guedes reiterou que "é preciso garantias para todas as partes para que todas as partes se sintam confortáveis" e, disse, isso foi conseguido. Por um lado, "a banca vê a sua situação clarificada porque passa a deter informação mês a mês auditada de forma independente para ter confiança no que está a ser a progressão financeira da atividade da empresa" e, por outro lado, "o Estado -- querendo e se vier a ser necessário por incumprimento do comprador exercer a opção de reversão -- passa a ter informação muito mais transparente e muito mais atualizada para poder decidir".

Os credores da TAP, conforme noticiou o Expresso no sábado, têm estado relutantes em aceitar o fim da garantia do Estado na dívida bancária da empresa, que em dezembro do ano passado ascendia a €646,7 milhões de euros, dos quais €515,9 milhões com um prazo de pagamento inferior a um ano. A proposta que está em cima da mesa desde o verão, tal como avançou o Expresso, é a de prolongar a maturidade das dívidas por um período de sete anos, com condições idênticas para os bancos envolvidos.

  • O Governo anunciou hoje que reforçou "os mecanismos de controlo da situação financeira da TAP", para garantir que, caso o Estado opte por reverter o negócio, em caso de incumprimento do comprador, fica com uma empresa em melhores condições